Cachete - S. M. Antigamente, no Nordeste do Brasil, era assim que se chamava qualquer comprimido para dor.
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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Jamais negarei que tenho ideologia!

"Jesus era Socialista!"

Faço parte de um Sistema Ideológico que prega a igualdade entre as pessoas. Que prega que somos iguais, resguardadas as próprias individualidades. Que não tem medo de fazer manifestações e reuniões em locais próprios para estas ou em lugares previamente combinados. Não nos envergonhamos dos símbolos que usamos no peito, em bandeiras, nas paredes de nossas casas, em nossos carros e trabalhos! 
Cantamos nossos hinos em júbilo à nossa ideologia. Temos nossos mártires! Fomos perseguidos.... Alguns de nós morreram por serem o que hoje somos. Por, mesmo sob torturas inimagináveis, jamais renegarem nossa ideologia. 
Quando nosso símbolo maior foi derrubado, e isto está nos livros de história, todos acreditaram que nossa ideologia havia morrido... 
Tivemos nossos símbolos jogados ao fogo... Mas, muitos de nós, apóstolos de nossa ideologia, se negaram a aceitar isso! Outros tantos a abandonaram em função de novas propostas que surgiram.... Que sejam felizes!! Respeitamos as liberdades de credos alheias. 
Erramos, também! Cometemos crimes! Sequestramos, torturamos e matamos pessoas de forma cruel e desumana... Era uma fase de radicalismo. De erro interpretativo da nossa doutrina por parte de alguns que, líderes dela, não souberam interpretar o que dizia o Livro que guiava as nossas idéias. 
Mas continuamos! Demos a volta por cima e estamos cada dia mais fortes... 
Sim... Não nego e jamais negarei!!! SOU CRISTÃO! E, por causa disso e por motivações semelhantes, também sou SOCIALISTA!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Cadernos de Educação Popular - Vol. 4 - Luta de Classes

Preocupado com a total falta de educação política do brasileiro comum, o Blog O Cachete estará disponibilizado semanalmente estes Cadernos de Educação Popular. Trata-se de uma coleção dos anos 80. De fácil leitura, ilustrada e toda montada sob o viés socialista para auxiliar na educação política do homem comum, sem os tecnicismos dos grandes escritores... Porém não dispensa a leitura destes!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cadernos de Educação Popular - Vol. 3 - Monopólios e Miséria

Preocupado com a total falta de educação política do brasileiro comum, o Blog O Cachete estará disponibilizado semanalmente estes Cadernos de Educação Popular. Trata-se de uma coleção dos anos 80. De fácil leitura, ilustrada e toda montada sob o viés socialista para auxiliar na educação política do homem comum, sem os tecnicismos dos grandes escritores... Porém não dispensa a leitura destes!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 de Setembro: Allende Vive!!!

Bombardeio do Palácio La Moneda

Em 11 de setembro de 1973, morria o grande Salvador Allende, médico e político marxista chileno. Fundador do Partido Socialista, foi presidente do Chile de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.

A sua política, a chamada "via chilena para o socialismo", pretendia, segundo ele, uma transição pacífica, com respeito às norm
as constitucionais chilenas e sem o emprego de força, para uma sociedade de paradigma socializante. Nacionaliza os bancos, minas de cobre e várias grandes empresas - o Estado chileno chega a controlar 60% da economia - e passa a sofrer pesadas pressões políticas norte-americanas e de grupos de pressão criados no Chile pela CIA, como a organização terrorista Patria y Libertad, de orientação nacionalista-neofascista.

Rapidamente o governo norte-americano submeteu o Chile a um bloqueio econômico informal, que impedia o Chile de obter empréstimos internacionais ou bons preços para o cobre, o seu principal produto de exportação. Isso foi denunciado por Allende num dramático discurso na ONU. Os Estados Unidos adotaram a estratégia de sufocar gradualmente a economia chilena até que um levante das Forças Armadas pusesse fim a "via chilena para ao socialismo". 

Em 11 de setembro de 1973, aviões americanos bombardearam o Palácio La Moneda. Até hoje existem dúvidas sobre como se deu a morte de Allende. O mais provável é que ele tenha se suicidado para não ser pego vivo, mas há a hipótese de assassinato. De uma forma ou de outra, foi o golpe que o levou à morte. Foi o princípio da ditadura de Pinochet.

domingo, 19 de agosto de 2012

Eu Li no Facebook: Precisamos de uma Esquerda de Verdade!



"Precisamos de uma esquerda de verdade no Brasil. Esse papo de diminuição das de$igualdades no Brasil, já deu no saco. O PT se perdeu, o PSOL poupa jornalistas bandidos e faz uma oposição como a do PSDB, e as demais siglas de esquerda estão mais preocupadas em tomar o lugar que sempre foi do PT erroneamente.
Na verdade, quem governa o Brasil é e sempre foi a mídia. Definem todos os rumos da educação, da cultura e do esporte.
Por isso vivemos esta crise educacional e cultural."

Opinião dO Cachete:
Na mosca!!!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Crise de Identidade: Sou Comunista ou Tucano???


Descobri ontem, e confirmei minha descoberta hoje, que não sou mais de esquerda! Desde que discordei da posição do PT e de Lula em relação à aliança com o PP de Maluf e me indignei com a famigerada foto no jardim, descobri através de alguns blogueiros progressistas que sou "um troll tucano, postando contra o PT, a soldo do PIG". E sabem o pior???? Eu nem sabia disso!!! Fiquei no limbo ideológico. Por um lado a tucanalha me chama de robot petista que recebe o Bolsa Twitter/Facebook e por outro eu sou esta aberração tucana postando contra o PT. Quem sou eu, agora? Estou em crise de identidade!
Alô, rapaziada! Vamos abrir os olhos!!! O fato é simples! Alguns PTistas, comunistas (meu caso, mas eu não tenho partido), socialistas e outros "istas" de esquerda não gostaram da "cagada" da aliança Lula/Maluf. Expuseram suas opiniões e pronto! A reação de negação por parte dos outros "istas" que não aceitam que Lula, um ser humano como eu, que acerta, que genial, que erra e faz cagadas das grandes vez por outra, é ridícula! Esta negação do fato (psicologia aplicada) causou criações absurdas. Além do factóide citado acima, já vi na blogosfera que foi mais um golpe de mestre de Lula que conseguiu tirar do PSDB um aliado natural ferrando os tucanos com isso. Quanta bobagem! Ou, "esta é a esquerda que a direita gosta!". Não! Esta é a esquerda que a verdadeira esquerda gosta! Negar o fato com criações mentais para tentar explica-lo não resolve a situação! Já imaginaram Chê e Fidel fazendo acordo com Fulgêncio Batista? Lenin fechando conchavo com o Czar Pedro e virando 1º Ministro Russo??? Não, amigos! Esquerda é luta. É trabalho. É decência. É fibra! É sangue! Vermelho! Comunista! É perder de cabeça erguida e saber ganhar altivamente! 

terça-feira, 6 de março de 2012

'Vivemos em um Sistema Muito Propenso a Crises', Afirma o Geógrafo Marxista David Harvey


O pensador marxista inglês, que tem voz divergente da opinião que domina o modelo contemporâneo, afirma que esse modelo que prevaleceu na economia mundial nos últimos 30 anos é o grande responsável pela atual situação de incerteza.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Padre Paulo Ricardo: Os Teólogos da Corte

Alguém me explica isso????

Na História da Humanidade, a Igreja sempre trocou favores com a realeza. Dinheiro e Poder em troca de uma vaga no Paraíso. Agora que em nível federal, com a queda de FHC e sua corja (PSDB, TFP, UDN, etc), eles perderam parte do poder sobre o povo, surge o Padre Paulo Ricardo com este Sermão. Um Sermão que sai até em defesa do "Monstro Evangélico" que é tantas vezes combatido em igrejas e programas de televisão católicos.
Não é só o Capitalismo que está em decadência. A Igreja também já se prepara para o seu ocaso. E sabem por que? Porque o povo passou a pensar e deixou de ser boi de presépio. Deixou de ser comandado pelos que defendem a dominação do mais fraco pelas classes dominantes, aliadas da Igreja, com promessas de felicidade eterna após a morte... No Paraíso! O povo que ser feliz hoje, Padre! E essa ideia não combina mais com o Planejamento Católico/Evangélico para ele. E isso é um caminho sem volta. Logo, repensem a Igreja. Reinventem a Doutrina Católica. Dispensem a Teologia dos Prazeres ou Penas Eternas "Post Mortem"! O Mundo mudou... Mudem também!

A igreja se dissociou do povo. Já não o representa!

Saudades de Dom Helder Câmara... Salve, Leonardo Boff!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Renato de La Rocha: O Sistema Está Tentando Salvar o Sistema!

Renato de La Rocha
Caros amigos e amigas.
 
Embora a grande imprensa, braZileira e internacional, não divulguem a real derrocada da democracia liberal da Europa, podem crer que a "crise" é muito mais séria e grave do que a imprensa e os seus "analistas" fazem aparentar.
Todos, ainda hoje, falam na "derrocada" do comunismo da ex-União Soviética, mas ninguém fala na derrocada do capitalismo, aliás, o capitalismo, desde os anos 30 do século passado, vem de derrocada em derrocada, só que, desta vez, a derrocada atingiu não apenas um país, mas todo o continente europeu. E como sempre acontece nas "crises capitalistas", o sistema vai buscar o "socorro" justamente nas teorias "socialistas" - isto é, socializam os prejuízos. Todos irão pagar a conta pela ganância de algunsE o exemplo dessa socialização podemos ver no que aconteceu, hoje, na Europa - mais de 500 bancos pediram emprestado quase 500 bilhões de euros, mais ou menos o equivalente a R$ 1,43 trilhão, ofertados pelo Banco Central Europeu, mas com uma importante "ressalva" - esta grana não poderá ser usada para comprar dívidas da Itália (que está falida) e da Espanha (que breve também irá falir).
Em resumo, os governos europeus da França, Alemanha e outros que ainda tem grana, estão injetando dinheiro no Banco Central para que este consiga salvar o "sistema financeiro", usando o dinheiro do povo europeu.
O sistema está tentando salvar o próprio sistema, tal qual como ocorreu no ano de 2009, quando o Banco Central Europeu emprestou mais de 440 bilhões de euros para mais de 1.100 bancos, com a modesta taxa de 1% ao ano.
E, como podemos constatar, de nada adiantou. Assim como ocorreu no ano de 2009, o Banco Central está dando "soro para moribundo".
 
A DEMOCRACIA LIBERAL IMPLANTADA NA EUROPA, A PARTIR DE 1980, ESTÁ FALIDA. SÓ OS EUROPEUS AINDA NÃO DERAM-SE CONTA DISSO. Será que a "ficha vai cair" quando o povo começar a pagar a conta?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Zoya Kosmodemyanskaya - A Guerrilheira Símbolo da Luta Contra o Nazismo

Zoya Kosmodemyanskaya
Zoya Kosmodemyanskaya - Tanya

Zoya Kosmodemyanskaya nasceu no dia 13 de setembro de 1923, na província de Tambov, na União Soviética.
Seu nome é uma referência aos santos Cosme e Damião (Kosma e Demyan, em russo). Aos seis anos, sua família muda-se para a Sibéria, onde Zoya tem uma parte de sua infância em grande contato com a natureza. Aos oito anos, nova mudança. Dessa vez para a capital, Moscou. É lá que Zoya inicia sua formação política, ingressando nas Pioneiras, a organização responsável pelos primeiros ensinamentos socialistas às crianças e jovens de oito a quinze anos. Aos dez anos, seu pai morre precocemente.
Aos quinze anos, é transferida para o Komsomol, a juventude do Partido Comunista. Lá, cumpre com zelo as tarefas que lhe são confiadas, dedicando-se especialmente ao trabalho da alfabetização de adultos. Propõe e aprova em seu coletivo a meta de que cada militante seja responsável pela alfabetização de pelo menos mais 10 pessoas. Dizia que gostava desse trabalho porque a fazia sentir-se mais adulta, mais responsável. Essa responsabilidade também demonstrava em casa, sempre ajudando sua mãe nos serviços do lar e na educação de seu irmão mais novo, Shura. Adorava literatura e história. Seu sonho era ser escritora. Nessa época escreveu em seu diário:
"Respeita-te a ti mesmo; não te superestimes; não sejas incomunicável; não sejas parcial; não andes a clamar que os outros não te respeitam ou te apreciam; trabalha com afinco para te desenvolveres e assim adquirirás maior confiança em ti mesmo"

O trabalho na retaguarda
Os sonhos de Zoya, porém, e os de milhões de jovens em todo o mundo estavam ameaçados. O capitalismo criara o nazismo com o objetivo de aumentar a exploração sobre os trabalhadores em todo o mundo. O principal alvo da fúria nazista era a União Soviética, o seu governo revolucionário. Em 22 de junho de 1941, Zoya ouve pelo rádio o discurso do Molotov, Comissário do Povo para Assuntos Estrangeiros, anunciando a invasão nazista ao território soviético. Como militante do partido, tinha recebido treinamento militar e, no mesmo dia, alista-se nas forças de defesa.
A ataque nazista é cruel e fulminante. Várias cidades são destruídas. Moscou é bombardeada. Zoya participa da defesa da cidade durante os ataques aéreos. Depois, é transferida para a retaguarda, para os campos de batata que alimentam as tropas. Lá, se destaca não apenas na produção como também na luta política, mantendo sempre elevado o moral de seus companheiros de trabalho. Escreve para a mãe:
"Minha adorada mamãe: perdoa-me por não ter escrito ainda. É que me falta o tempo para cartas. Mamãe querida, bem sabes que estamos arrancando batatas, para ajudar o Estado a fazer a colheita ... o trabalho aqui não é nada fácil, mas não te preocupes, quando voltar para Moscou verás como estou bem e feliz."

A Guerrilheira Tanya
Quando termina seu trabalho no campo de batatas, Zoya volta a Moscou. A ameaça nazista, porém, ainda estava presente e cada vez mais próxima da capital. Zoya sabia que tudo de bom que os trabalhadores haviam construído depois do triunfo da Revolução de 1917 corria o risco de cair na mão dos nazistas, os mais reacionários inimigos do povo. Assim que toma conhecimento da situação, não tem dúvida: decide alistar-se como guerrilheira. A partir daí, adota o nome clandestino de Tanya. Antes de partir, diz a sua mãe: "Não te desesperes, mãe. Se me acontecer alguma coisa, não é razão para se desesperar. O Soviete cuidará de ti".
Os guerrilheiros tiveram uma participação decisiva na vitória soviética sobre o fascismo. Enquanto o Exército Vermelho encarava o exército nazista, impedindo seu avanço, os guerrilheiros, compostos principalmente de civis, atacavam a retaguarda do inimigo. Sua missão era causar todo dano material e humano possível. Destruíam mantimentos, armazéns, vias de transporte e comunicação. Preparavam emboscadas e armadilhas. Atuavam à noite. Não permitiam que o inimigo descansasse, obrigando-o a ficar sempre alerta. Agiam como espiões. Forneceram valiosas informações ao Exército Vermelho.
O destacamento guerrilheiro de Zoya foi responsável por vários ataques às tropas invasoras. Uma informação, porém, iria mudar para sempre a história de Zoya. Ela e seus camaradas descobrem que uma pequena cidade nos arredores de Moscou, Petrishevo, fora invadida pelos alemães e transformada em um quartel-general. As casas haviam sido tomadas e os habitantes obrigados a servir aos nazistas. Zoya sabia seu dever. Sabia que as tropas de Hitler não poderiam ter um segundo sequer de descanso, e a idéia de que um povoado inteiro servia de refúgio para os fascistas a enfureceu profundamente. Reúne dois outros guerrilheiros e diz: "Vamos ver que espécie de repouso eles vão ter".
Durante a noite, com grande habilidade, entra em Petrishevo sem ser notada. Alguns minutos depois, vários prédios da cidade estão ardendo em chamas. Zoya só se retira quando tem certeza de que o fogo estava suficientemente alto. Na saída, ainda corta os fios telefônicos, para impedir que os nazistas pudessem pedir socorro.
Apesar da ação bem sucedida, Zoya descobre que os fascistas haviam conseguido apagar o incêndio e que a cidade continuava a servir de quartel para os agressores. Insatisfeita, resolve voltar para terminar seu trabalho. Dessa vez, entra na cidade disfarçada em roupas de homem. Escondidos sobre o casaco e em todas as partes, benzina e fósforos. Conseguiu entrar em um dos prédios, mas havia caído em uma armadilha. Antes que pudesse sacar seu revólver, foi presa pelos alemães.

"Lutem sempre!"
Zoya foi espancada e torturada. Com o corpo e as roupas cobertos de sangue, foi levada à casa do camponês Vasily Kulik, que relatou o que viu:
– Quem é você? – pergunta o tenente-coronel Ruderer, comandante do 332º. regimento nazista.
– Não digo. – respondeu Zoya.
– Foi você que ateou fogo no estábulo na noite de anteontem?
– Sim.
– Qual seu objetivo ao fazer isso?
– Queria destruí-lo.
– Quando atravessou a fronteira?
– Não digo.
– Quem lhe mandou?
– Não digo.
Furioso, o coronel disse:
– Não diz? Em breve dirá.
Zoya foi torturada por mais duas horas. Mas, ao contrário do que pensava o coronel, ela não disse nada. Após as torturas, o camponês Vasily conseguiu convencer um dos guardas a deixá-lo levar um copo d'água para Zoya. Ela perguntou:
– Quantas casas eu queimei?
– Três. – respondeu Vasily.
– Queimei algum alemão?
– Um.
– Que mais?
– Vinte cavalos e o cabo telefônico.
Zoya suspirou. Gostaria de ter causado mais prejuízos. Mas a informação do resultado de seu ataque a reconfortou. Durante o dia seguinte, novas sessões de tortura. Mais uma vez ela não disse nada. Vendo que os interrogatórios eram inúteis, os nazistas decidiram enforcar Zoya em praça pública. Em seu pescoço penduraram uma placa com os dizeres: "Incendiária de lares". Queriam que sua morte servisse de exemplo para os soviéticos. De fato, Zoya haveria de ser tornar um exemplo, porém bem diferente do que os nazistas planejaram.
A forca foi montada na praça central. Embaixo, uma cadeira. Os habitantes de Petrishtshevo foram obrigados a comparecer. Alguns choravam, outros viravam o rosto. Mas os alemães haviam ordenado, até, que fossem tiradas fotografias desse momento. Em cima da cadeira, com a corda no pescoço, Zoya aproveitou-se da espera e iniciou uma vibrante agitação política: "Avante, camaradas! Por que estão tristes? Sejam bravos! Continuem nossa luta. Matem alemães! Queime-os! Envenenem-nos!".
Os nazistas enlouqueceram. Não sabiam o que fazer. A máquina fotográfica foi rapidamente guardada. O carrasco correu para empurrar a cadeira. Zoya ainda gritou: "Lutem sempre! Stálin está conosco!".
Foram suas últimas palavras. Isso aconteceu no dia 5 de dezembro de 1941. Zoya tinha, então, 18 anos. Seu corpo ficou pendurado durante vinte dias. Suas palavras e seu exemplo, porém, correram a União Soviética como um raio. Seguindo o exemplo de Zoya, milhares de jovens alistaram-se como guerrilheiros. Os guerrilheiros faziam da vida dos invasores um inferno. Os soldados de Hitler não podiam descansar. Não podiam dormir. Em qualquer lugar, a qualquer momento, havia um guerrilheiro pronto para atacar. Muitos soldados nazistas enlouqueceram. Milhares foram mortos pelos guerrilheiros.
Em 1º de dezembro de 1942, um ano depois da morte de Zoya e já durante a contra-ofensiva soviética, o jornal Izvestia publicou a seguinte notícia: "No decorrer dos primeiros dias da ofensiva de Rhzev, os soldados do general Povetkin esmagaram várias unidades de tropas alemãs".
Entre essas tropas, completamente destroçado e atemorizado, estava o regimento que havia assassinado Zoya. O glorioso Exército Vermelho havia conseguido vingar a morte de sua heroína.

Homenagens
O silêncio de Zoya ante os nazistas foi tal que mesmo o Exército Vermelho teve dificuldade de identificar quem era a guerrilheira Tanya. Em 16 de fevereiro de 1942, Zoya tornou-se a primeira mulher a receber, postumamente, o título de Heroína da União Soviética. Em 1944, Lev Arnshtam fez um filme sobre sua vida. Foram compostas também peças de teatro e músicas em sua homenagem. Dois asteróides descobertos por astrônomos soviéticos foram batizados com seu nome. Ainda hoje há estátuas de Zoya nas cidades de São Petersburgo (antiga Leningrado), Tambov, Dorokhov e Petrishevo.
Durante a década de 1980, uma das principais militantes da Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão, organização que lutava contra a opressão fundamentalista sobre as mulheres daquele país, adotou o nome Zoya como seu nome clandestino. Assim, Zoya Kosmodemyanskaya continua inspirando os revolucionários em todo o mundo.

 Zoya Kosmodemyanskaya sendo levada para a execução
 Zoya Kosmodemyanskaya sendo levada para a execução

pintura da execução de  Zoya Kosmodemyanskaya

Referências:
Santa Rússia. Maurice Hindus. Editorial Calvino. 1944

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Documentário "Jesus Era Comunista" Gera Polêmica Nos Estados Unidos

Jesus era comunista!
Quando os tempos estão difíceis, parece que a religião volta a ficar popular. Enquanto o mundo está em turbulência, com os mercados econômicos parecendo entrar em colapso e o meio-ambiente degradado, Jesus volta a ser o centro da atenção.
O premiado ator Matthew Modine já participou de filmes de sucesso no cinema e de séries televisivas. No momento ele está envolvido nas gravações do novo filme sobre Batman. Entre uma filmagem e outra, ele produziu um curta-metragem de 15 minutos que mostra o filho de Deus como um líder socialista, oferecendo um argumento convincente em favor dos pobres.
Modine escolheu um título polêmico: “Jesus era um comunista”. Seu filme oferece uma discussão das mensagens do Novo Testamento no contexto da pobreza, da poluição e da agitação política.
Selecionado para participar de vários festivais de cinema em todo o mundo, a discussão que o veterano ator propõe já está chamando atenção. O movimento político direitista Tea Party tem usado a Bíblia como seu “cabo eleitoral e justificativa para mudanças na política”. Sites cristãos como o Truth Vanguard já fizeram pesadas críticas ao curta metragem.
O filme de Modine parece ter um endereço certo. Algumas semanas atrás, o movimento “Ocupar Wall Street” iniciou um debate sobre a relação entre os mais ricos e os mais pobres da sociedade. Rapidamente iniciativas similares se espalharam por vários lugares do mundo.
Vários meios de comunicação compraram a iniciativa com o início do Cristianismo, quando a igualdade entre todos os homens ajudou a desfazer a estrutura social do antigo Império Romano. Imediatamente líderes religiosos e teólogos começaram a debater o tema. Enquanto alguns apoiaram a ideia dizendo que Jesus estaria ao lado dos que ocuparam Wall Street, outros criticaram veementemente, afirmando que a revolução que Jesus queria nada tinha a ver com distribuição de renda.
Embora o filme não tenha sido exibido comercialmente, o site do filme traz a seguinte mensagem: “Sua revolução implicava em uma mudança dramática na forma como as pessoas pensavam. O pensamento progressista e liberal de Jesus se espalhou por todo o Império dominante. Sem exército e sem armas, Ele levou as pessoas a uma nova direção e uma forma mais humana de pensar, com sua filosofia de amor e perdão. Estas são as ideias defendidas neste exato momento pelos protestos em Nova York e por milhares de norte-americano através dos Estados Unidos”.
Falando sobre o curta, Modine explica: “Embora o título seja propositadamente provocativo, é importante às pessoas entenderem que o filme não é um ataque a Jesus ou à fé cristã e nem mesmo uma apologia ao comunismo. Trata-se de um filme com uma mensagem muito positiva, de responsabilidade e de esperança”.
Durante uma entrevista, no lançamento do filme semana passada, Modine foi mais longe: “O movimento Ocupar Wall Street não tem uma só voz, um líder. Essa é uma extraordinária demonstração de liberdade civil e de democracia. Mas acho que se houvesse um homem barbudo, de pés descalços falando sobre paz, liberdade, amor e virasse a mesa dos especuladores de Wall Street acabou ele seria crucificado pela mídia. O prefeito exigiria sua prisão. [Alguns meios de comunicação] iria incitar o ódio contra ele e declará-lo uma ameaça para o capitalismo”.
Vindo de uma família muito religiosa, o diretor explica porque os ensinamentos de Jesus o motivaram: “Estou preocupado com os eventos que ocorrem em todo o mundo. A população chegou aos 7 bilhões. Existe muita fome no mundo. Há escassez de água potável. A poluição ameaça o meio-ambiente. Vemos os dos resíduos nucleares. Mudanças climáticas em todo o mundo… Há tanta confusão, culpa e falta de responsabilidade no mundo de hoje. Muitas guerras e assassinatos usam como justificativa o nome de Deus. Não foi isso o que Jesus ensinou”
Confira um trailer do filme que curiosamente inicia com a declaração do teólogo brasileiro Dom Elder Câmara “Se eu dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se eu pergunto por que os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista”.
Mais informações sobre o filme no site www.jesuswasacommiefilm.com

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Rescaldo do PAN - Malditos Comunistas!




Malditos Comunistas!


Em Cuba, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado. Pô, assim não vale! Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza. Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!

Acabaram os jogos Pan-Americanos e mais uma vez ficamos atrás de Cuba. 

Mais uma vez!

Isso não está certo. Este paiseco tem apenas 11 milhões de habitantes e o nosso tem 192 milhões. Só a Grande São Paulo já tem mais gente que aquela ilhota.

Quanto à renda per capita, também ganhamos fácil. A deles foi de reles 4,1 mil dólares em 2006. A nossa: 10,2 mil dólares.

Pô, se possuímos 17 vezes mais gente do que eles e nossa renda per capita é quase 2,5 vezes maior, temos que ganhar 40 vezes mais medalhas que aqueles comunas. 

Mas neste Pan eles ganharam 58 ouros e nós, apenas 48. 

Alguma coisa está errada. Como eles podem ganhar do Brasil, o gigante da América do Sul, a sétima maior economia do mundo?

Já sei! É tudo para fazer propaganda comunista. 

A prova é que, em 1959, ano da revolução, Cuba ficou apenas em oitavo lugar no Pan de Chicago. Doze anos depois, no Pan de Cáli, já estava em segundo lugar. Daí em diante, nunca caiu para terceiro. Nos jogos de Havana, em 1991, conseguiu até ficar em primeiro lugar, ganhando dos EUA por 140 a 130 medalhas de ouro. 

Sim, é para fazer propaganda do comunismo que os cubanos se esforçam tanto no esporte. E também na saúde (eles têm um médico para cada 169 habitantes, enquanto o Brasil tem um para cada 600) e na educação (a taxa de alfabetização deles é de 99,8%). Além disso, o Índice de Desenvolvimento Humano de Cuba é 0,863, enquanto o nosso é 0,813. 

Tudo para fazer propaganda comunista!

Aliás, eles têm nada menos do que trinta mil propagandistas vermelhos na cultura esportiva. Ou professores de educação física, se você preferir. Isso significa um professor para cada 348 habitantes. E logo haverá mais ainda, porque eles têm oito escolas de Educação Física de nível médio, uma faculdade de cultura física em cada província, um instituto de cultura física a nível nacional e uma Escola Internacional de Educação Física e Desportiva. 

Há tantos e tão bons técnicos em Cuba que o país chega a exportar alguns. Nas Olimpíadas de Sydney, por um exemplo, havia 36 treinadores cubanos em equipes estrangeiras.

E existem tantos professores porque a Educação Física é matéria obrigatória dentro do sistema nacional de educação. 

Até aí, tudo bem. No Brasil a Educação Física também é obrigatória. 

A questão é que, se um cubano mostrar certo gosto pelo esporte, pode, gratuitamente, ir para uma das 87 Academias Desportivas Estaduais, para uma das 17 Escolas de Iniciação Desportiva Escolar (EIDE), para uma das 14 Escolas Superiores de Aperfeiçoamento Atlético (ESPA), e, finalmente, para um dos três Centros de Alto Rendimento.

Ou seja, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado. 

Pô, assim não vale!

Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza. 

Quero ver é eles ganharem tantas medalhas sendo como nós, um país onde a Educação Física nas escolas é, muitas vezes, apenas o horário do futebol para os meninos e da queimada para as meninas. Quero ver é eles ganharem medalhas com apoio estatal pífio, sem massificar o esporte, sem um aperfeiçoamento crescente e planejado. 

Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!

Malditos comunistas...

José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.

sábado, 22 de outubro de 2011

Eu Sou Comunista!

E me orgulho do Partidão!

Veja, Época, Folha, Estadão... O Comunismo sobreviveu a cataclismos bem maiores que vocês! Sobreviveu aos Estados Unidos e seu agente infiltrado Gorbachev. Sobreviveu à Queda do Muro de Berlim. Sobreviveu à capitulação de Roberto Freire e de meia dúzia de covardes que, como ele, abandonaram a causa. Vamos sobreviver a mais esse tremor na força vermelha... Não passarão!

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Colapso do Capitalismo


Quebradeira Geral

O velho mundo está quebrado! Os Estados Unidos estão quebrados! Ontem li em algum lugar que um americano assaltou por US$ 1,00 só para ter direito a um médico na prisão. A Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha estão em verdadeira bancarrota! O que falta, então, para que os Jornais já anunciem que, conforme afirmou Karl Marx, o Capitalismo colapsou? 
Lembro bem, na queda do Muro de Berlim, o estardalhaço que foi e o oba-oba que ficou até hoje sobre o Fim do Comunismo.  Então, já podemos pregar o "Fim do Capitalismo", também???? Quando chegar a hora, por favor, avisem! Sou meio desligado para notar essas coisas....

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Trágico Fracasso do "Pós-Comunismo" no Leste Europeu

 

O Sofrido Leste Europeu

Global Research - [Dr. Rossen Vassilev, Tradução de Diário Liberdade] 8 de março de 2011. Pouco antes do Natal, em 2010, um engenheiro da televisão pública perturbado, protestando contra as controversas políticas econômicas do governo, atirou-se de um balcão no parlamento romeno durante um discurso do primeiro-ministro do país. O homem que sobreviveu à tentativa de suicídio, segundo informações, teria gritado antes de saltar: “Você tomou o pão para longe da boca dos nossos filhos! Você matou o futuro dos nossos filhos!”. O manifestante hospitalizado, vestido com uma camisa declarando: “Vocês mataram o nosso futuro!”, mais tarde foi identificado como, Adrian Sobaru de 41 anos, cujo filho adolescente autista tinha perdido recentemente o auxílio do governo como parte da última etapa de corte orçamentário de Bucareste. Sua tentativa de suicídio foi transmitida ao vivo na TV pública da Romênia no momento em que o primeiro-ministro Emil Boc falou de um mal sucedido voto contra o insucesso do seu gabinete conservador.

As medidas de austeridade fiscal e salarial que o Sr. Sobaru estava protestando incluiu um corte de pagamento de 25% para todos os funcionários públicos como ele, assim como reduções severas nos pagamentos de assistência social para os pais com filhos deficientes, que também tinha recebido, até recentemente. De acordo com a Agência de Noticias romena Agerpes, o choro desesperado do homem no parlamento foi dolorosamente ecoando os ouvidos durante a Revolução anti–Comunista de 1989 que derrubou o dissidente romeno e geralmente pró-ocidental, o regime de Nicolae Ceauşescu.
Tumulto econômico
O salto trágico do Sr. Sobaru, mais tarde televisionado para todo o mundo, golpeou uma simpática emoção em muitos romenos que o viam como um símbolo das desigualdades e injustiças selvagens do período pós-comunista. A Romênia está atolada em uma recessão grave, e sua economia exaurida deverá diminuir em pelo menos 2% em 2010, após ter contraído 7,1% no ano anterior. Ao invés de tentar ajudar os desempregados e os socialmente necessitados, o governo de Bucareste, que é declaradamente crivado de clientelismo, corrupção e nepotismo, cortou salários do setor público em um quarto e aparou todos os gastos sociais, incluindo os subsídios de aquecimento para os pobres bem como os de desemprego, maternidade e benefícios por incapacidade. Ao mesmo tempo, o imposto nacional de vendas foi de 19% subiu para 24%, pois as autoridades estão se esforçando para manter o déficit nacional até 6,8%, a fim de atender às rigorosas exigências fiscais da União Europeia (UE), que a Romênia havia se juntado em janeiro de 2007 .
Estas duras políticas de austeridade irritaram milhões de romenos que mal estão conseguindo sobreviver em uma nação onde a média de renda mensal per capita é de cerca de 400 dólares. Irritados protestos de rua em que se reuniram dezenas de milhares de romenos refletem a profunda insatisfação com a pobreza em massa e a contínua crise econômica, que levou a Romênia à beira da falência. “Este não é o capitalismo, nos países capitalistas você tem uma classe média”, um gerente de loja de conveniência em Bucareste disse a um repórter da Associated Press. Mas a sociedade romena, queixou-se, é dividida entre uma pequena minoria de pessoas muito ricas e uma vasta classe baixa empobrecida [1].
Quanto ao drama humano testemunhado no Parlamento Romeno, nesse dia de véspera de Natal é bastante sintomático da miséria generalizada no país dos Bálcãs e esperanças frustradas de uma vida melhor, ele poderia facilmente ter acontecido em qualquer outro dos países em crise do mundo ex-comunista que igualmente sofrem de elevado desemprego, a pobreza em massa, queda dos salários e cortes nos gastos públicos e padrões de vida. Na época da tentativa desesperada de suicídio do Sr. Sobaru, muitos do 20.000 médicos hospitalares da República Tcheca demitiam-se em massa para protestar contra a decisão do gabinete do primeiro-ministro Petr Necas de cortar todos os gastos públicos, incluindo as despesas de saúde, em pelo menos 10 %, a fim de manter as finanças conturbadas do país sem dívidas. Essas demissões em massa eram parte da campanha "Obrigado, estamos partindo", lançada pelos médicos insatisfeitos em todo o país, visando exercer pressão sobre as autoridades de Praga para aumentar os seus baixos salários e proporcionar melhores condições de trabalho para todos os trabalhadores da saúde. Confrontada com a pior crise de saúde na história do país ex-comunista, que colocou em perigo as vidas de muitos pacientes, o governo tcheco ameaçou impor um estado de emergência, que forçaria os médicos, ou voltar ao trabalho ou enfrentar duras sanções legais e financeiras.
Também se pode lembrar a grande parte não declarada, distúrbios alimentares em 2009 na Letônia, o muito elogiado "milagre Mar Báltico" queridinho da mídia ocidental, onde o impopular primeiro-ministro Valdis Dombrovskis foi reeleito em 2010 apesar de ter feito severos cortes de gastos públicos e promover escassas condições de vida aos letões (a campanha eleitoral centrou-se, em vez disso, no confronto desagradável entre os nacionalistas da Letônia e da minoria considerável e inquieta do país de língua russa). Segundo o professor Michael Hudson, importante pesquisador, Professor de Economia da Universidade do Missouri, como cortes do governo no bem-estar social, educação, saúde, transporte público, e outras despesas de infraestruturas sociais básicas ameaçam minar a segurança econômica, desenvolvimento em longo prazo, e estabilidade política nos países da ex-bloco soviético, os jovens estão emigrando em massa para melhorar as suas vidas ao invés de sofrer em uma economia sem oportunidades de emprego.
Quando a "bolha neoliberal" estourou em 2008, o professor Hudson escreveu, o governo conservador da Letônia tomou empréstimos pesadamente da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional sob prazos punitivos de reembolso que impuseram essa política de austeridade dura que encolheu a economia da Letônia em 25% (os vizinhos Estônia e Lituânia experimentaram um declínio econômico igualmente íngreme) e de desemprego, atualmente em 22%, continua a aumentar. Como bem mais de um décimo de sua população agora trabalha no estrangeiro, os trabalhadores convidados da Letônia enviam para casa o que eles podem poupar para ajudar suas famílias indigentes sobreviver. As crianças da Letônia (alguns deles estão como o casamento do país báltico, e as taxas de natalidade estão despencando) têm sido assim, "deixou órfãs para trás", alertando os cientistas sociais a se perguntar como esta pequena nação de 2,3 milhões de pessoas pode sobreviver demograficamente [2]. Esses são os resultados dos orçamentos da austeridade do pós-comunismo que cortaram as pessoas comuns na altura dos joelhos, enquanto os credores internacionais e os banqueiros locais são socorridos.
O aumento do populismo de direita
A profunda crise econômica e o aumento do desemprego em todo o mundo ex-comunista trouxe ao poder alguns partidos políticos radicais e políticos abraçando o populismo nacionalista de direita. Fidesz Hungria (União Cívica Húngara), um partido nacionalista descaradamente de direita, conquistou 52,73% dos votos nas eleições legislativas de Abril de 2010. Jobbik (Movimento para Hungria melhor), um partido xenófobo de extrema-direita, ficou em terceiro com 16,67% dos votos. Em meio a uma desastrosa recessão econômica, a direita nacionalista ganhou a maioria do voto popular através da recuperação húngara tradicional do bode expiatório das minorias étnicas e culpando os judeus e os ciganos em especial pelo desemprego generalizado do país e da pobreza. Quando Oszkár Molnár, membro de Fidesz, líder eleito para o novo parlamento, proclamou: "Eu amo a Hungria, eu amo os húngaros, e eu prefiro interesses húngaros ao capital financeiro global, ou de capital judio, que quer devorar o mundo inteiro, mas especialmente na Hungria”, ele não foi sequer repreendido publicamente por qualquer um dos seus colegas de partido.
Em dezembro de 2010, os dois terços de Fidesz no parlamento permitiu avançar com uma lei draconiana para a imprensa, a qual deu liberdade ao governo para exercer controle mais rigoroso sobre a imprensa privada. Esta polêmica nova lei desencadeou manifestações nas ruas de Budapeste com muitos húngaros carregando cartazes em branco para protestar contra a proposta de censura do governo. Também atraiu críticas no Parlamento Europeu (Hungria tornou-se membro da União Europeia em Maio de 2004) por ser uma "ameaça à liberdade de imprensa" e um "grave perigo para a democracia", prevendo multas enormes e demais penalidades legais aos meios de comunicação e pontos de Internet que ousarem publicar ou transmitir informação "desequilibrada" ou "imoral”, especialmente alguma que seja crítica ao governo, em uma nação onde um em cada três vive abaixo da linha da pobreza. Críticos tem reclamado que a mais restritiva lei de imprensa da Europa irá asfixiar o pluralismo e voltar o relógio sobre a democracia neste país ex-comunista
A imprensa alemã tem difamado especialmente o Primeiro Ministro da Hungria, Viktor Orban, não apenas para tentar amordaçar a mídia local, mas também por perseguir o controle do partido Fidesz e transformando a Hungria num totalitário "Führerstaat" (comentaristas húngaros igualmente queixaram-se que seu país está rastejando "Orbánization"). Károly Voros, editor-chefe do jornal húngaro Nepszabadsag, queixou-se que a nova lei da imprensa quer “dissipa um sentimento de medo nas almas dos jornalistas” e que “todo o estado constitucional está sistematicamente dissolvendo” [3] na Hungria. Mas sentindo forte apoio do público em casa, dado a ofensiva anticapitalista, anti-União Europeia, e de humor antiamericano dos húngaros apanhado no turbilhão da globalização, o populista Orbán, semelhante a Berlusconi, no passado, tomou uma posição desafiadora, alertando a UE a parar de se intrometer nos assuntos internos da Hungria: “É a União Europeia que deve ajustar-se a Hungria não a Hungria à União Europeia...” (Hungria assumiu oficialmente a presidência rotativa da UE de seis meses em 1 de Janeiro de 2011). Mas o que muitos húngaros suspeitam é que a nova lei de imprensa era apenas um truque esperto para distrair a atenção pública dos terríveis problemas econômicos do país.
Outra figura autocrática, Boyko Borisov, um ex-chefe da polícia nacional com um incerto passado comunista que possui vínculos com o submundo do crime local, governa a Bulgária, a qual tornou-se membro da UE em janeiro de 2007 apesar de ser o mais corrupto e criminalizado Estado no antigo bloco do Leste além do notório governo da máfia em Kosovo (outro candidato escandaloso esperando tornar-se futuro membro da UE já em 2015). O sucesso eleitoral do homem forte Borisov, como Mussolini, e sua GERB de direita (Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária) nas eleições de julho de 2009 foi surpreendente em um país em que a situação tornou-se a mais emblemática da trajetória aberrante da região pós-comunista e do atual descontentamento. Por quase todos os indicadores macroeconômicos, a Bulgária está em pior forma agora do que no passado comunista.
Estatísticas oficiais mostram que tanto o produto interno bruto (PIB) e a renda per capita da população despencou, a rede de previdência se desintegrou, e até mesmo a sobrevivência física de muitos búlgaros pobres está em perigo. Os efeitos imediatos das “reformas” orientadas para o mercado tem sido a destruição da indústria e agricultura da Bulgária, desemprego, inflação, flagrante desigualdade de renda, pobreza esmagadora, e até mesmo a desnutrição. Crime organizado e corrupção endêmica, sob a forma de nepotismo e clientelismo, a corrupção no trabalho, peculato, recebimento de propina, tráfico de influência, contrabando, esquemas de proteção, de jogatina, prostituição e de pornografia tem cobrado um alto preço no nível de vida pós-comunista e de subsistência. Outro efeito infeliz é a negligência generalizada dos direitos econômicos e sociais dos búlgaros ‘comuns’, para muitos deles, a jornada de trabalho de 8 horas é agora apenas uma memória.
O catastrófico ambiente econômico, por sua vez gerou um clima político bastante volátil e imprevisível. Nenhum governo eleito durante o tempestuoso período pós-comunista sobreviveu no cargo por mais de um semestre (e muitas vezes até menos que isso). Essa volatilidade ilustra a natureza instável e imprevisível da política na Bulgária, devido à situação econômica catastrófica, e a gritante incapacidade das elites partidárias existentes para oferecer uma solução confiável. Fartos de declínio econômico, negligência do governo, roubo de alta qualidade, crime e corrupção, os búlgaros têm uma e outra vez votos de protesto contra a opressão do poder incompetente, interesseiro, corrupto e panelinhas criminalizadas dos políticos, do partido, em busca do ganho pessoal. Mas o fim de sua miséria parece longe de vista, especialmente no gabinete Borisov, já instituiu um orçamento de austeridade draconianas, o corte não menos de 20% de todos os gastos públicos.
Ao mesmo tempo, a política se tornou de longe o negócio mais lucrativo – mais rentável e também muito menos arriscado do que qualquer atividade empresarial sem fins lucrativos. Isso transformou os partidos políticos em algo semelhante a trapaceiras corporações empresariais – bem organizadas, de predadores sem escrúpulos e aspirantes a assumir as rédeas do poder a fim de se enriquecer, explorando um povo apático e semelhante a um gado, e saqueando os recursos da Bulgária, especialmente agora que o país pode contar em receber quantidades substanciais de ajuda externa e investimento da UE. Poderosos interesses econômicos, de origem muitas vezes criminosas, que se alinharam e financiaram cada um dos principais partidos políticos, acrescentando elementos fortemente plutocráticos ao que é essencialmente uma oligarquia cleptocrática, mafiosa. É por isso que as pessoas comuns não veem nenhuma diferença entre seu governo cheio de corrupção e organizações criminosas bem estruturadas da Bulgária. Não é surpreendente que os búlgaros tendem a se referir ao seu país como um "Estado mafioso", uma "República das bananas", um "circo" e "Absurdistan” [NT]. Eles ainda estão esperando a chegada há muito prometida do capitalismo "normal" e democracia "normal", onde a segurança econômica pessoal, salários justos, e os padrões de vida decentes irão substituir o elevado desemprego de hoje, miséria, falta de moradia e desânimo social. Cerca de 1,2 milhões de búlgaros (16% da população), principalmente os jovens, se encontram em busca de melhores oportunidades no estrangeiro (a pobreza impulsionou a emigração e ajudou a reduzir a população pós-comunista da Bulgária, perto dos 9 milhões em 1989 para cerca de 7 milhões de hoje).
Colapso do apoio popular
Logo após a queda do comunismo, os países do antigo bloco soviético e outros Estados ex-comunistas da região foram economicamente neoliberalizados (alguns deles foram territorialmente desmembrados) e, exceto para pequenas elites locais pró-ocidentais, que foram para fora como bandidos, sua população tornou-se pobre como no Terceiro Mundo. Quase todos esses 28 países euro-asiáticos sofreram um declínio econômico de longo prazo de proporções catastróficas (só a Polônia ultrapassou em muito o PIB da sua era comunista). Graves problemas econômicos, corrupção arraigada e generalizada frustração popular com as dificuldades e privações da transição aparentemente interminável pós-comunista estão a minar o prestígio das novas autoridades e mesmo a crença da população na democracia ao estilo ocidental e do capitalismo de mercado. Uma nova raça de plutocratas voraz e impiedosos com um apetite insaciável por riqueza e poder tem pilhado – por meio de um processo injusto e corrupto da privatização – os ativos da antiga economia estatal e recriou em casa os piores excessos do capitalismo Dickensiano do século XIX, como se o progresso social do século XX nunca tivesse existido. No meio do desemprego generalizado, miséria, desnutrição e até mesmo a fome, as multimilionárias mansões particulares surgiram em todas as grandes cidades como símbolos de palácios de ganhos ilícitos e da riqueza inatingível para pessoas comuns que lutam para encontrar emprego, pagar contas diariamente, e encontrar habitação a preços acessíveis. Esta "nova classe" de políticos ligados aos “novos ricos” com luxuosos estilo de vida ‘La Dolce Vita’ parece estar disposta a cometer qualquer crime, no interesse do lucro rápido e autoenriquecimento, operando de acordo com o princípio do rei Luís XV "Après moi, le déluge" (Depois de mim, o dilúvio) e impetuoso em todos os lugares às esperanças das pessoas para melhorar sua sorte e modernizar o seu país ao longo das linhas de uma nação “civilizada”. Único negócio que floresce em muitos pontos da região de “economias emergentes” parece ser o crime organizado, que geralmente é executado por cleptocratas dentro dos círculos dominantes.
Enquanto essa camada parasitária de "novos ricos" oligarcas está ficando mais rica a cada dia – em parte, por evasão fiscal no âmbito do sistema recém-adotado, leis do “plano fiscal”, altamente regressivos – os cidadãos das nações ex-comunistas agora têm que pagar dos seus próprios bolsos para todos os serviços médicos anteriormente fornecidos gratuitamente pelo governo, apesar de também ter de pagar renda, imóveis, impostos sobre vendas – algo que eles não vivenciaram com os regimes comunistas. Há também a rentabilização e/ou privatização dos serviços educacionais anteriormente livres, especialmente no ensino superior e as novas escolas particulares, faculdades e universidades onde os estudantes têm que pagar por sua formação, incluindo muitas taxas que cada aluno tem de pagar para os vestibulares e outros testes obrigatórios exigidos em todos os níveis de escolaridade. Os subsídios governamentais para tudo, desde saúde, educação e assistência jurídica à habitação, energia e transportes públicos estão desaparecendo na disputa para cortes de gastos sociais e cortes de déficits orçamentários, tornando ainda mais difícil para as pessoas comuns sobreviverem em sua luta diária pela vida. A região tornou-se um campo de ensaio para ver em que medida os trabalhadores podem ser privados de seus direitos econômicos e sociais e, tais como um salário mínimo fixado legalmente, férias remuneradas, acesso gratuito e universal aos cuidados de saúde, educação e serviços jurídicos, aposentadoria aos 60 anos de idade para homens e 55 para mulheres, ou mesmo a sindicalização.
Mas, apesar de crescentes taxas de desemprego e subemprego, a disciplina de ferro do mercado, e à falta de bem-estar social ou mesmo da mais rudimentar solidariedade social, a velha piada da era comunista “Eles (os empresários) fingem que nos pagam, nós (os funcionários) fingimos trabalhar” parece ser hoje muito mais verdadeiro do que era sob o comunismo. Para pessoas que não tem vontade de trabalhar mais duro agora para os novos proprietários privados (e muitas vezes estrangeiro) de negócio que parecem estar interessados em espremer tanto lucro a partir de pequenos pagamentos e poucos benefícios possíveis. Ao mesmo tempo, a educação pública e as ciências, bem como as instituições artísticas e culturais, estão sendo estripadas, em nome da economia do “dinheiro dos contribuintes”, (por exemplo, a Academia Nacional de Ciências foi fechada ou está prestes a ser fechada em um bom número de países em transição).
Nessas nações em crise, onde os padrões de vida têm se deteriorado seriamente como desemprego, pobreza, miséria, criminalidade, bem como abuso de álcool e drogas estão se espalhando, junto com os preços exorbitantes para coisas básicas como alimentação, habitação e combustíveis, a satisfação do público com a forma como o governo está realmente agindo é mínima em quase toda parte. E onde há uma grande discrepância entre as expectativas populares e desempenho do governo em termos de fornecimento bens necessários e serviços públicos, como em quase todos os países pós-comunistas, a adesão a atitudes democráticas corrói gradualmente ao longo do tempo. O baixo desempenho dos regimes que não atendem às aspirações públicas durante longos períodos de tempo podem perder a sua legitimidade, arriscando crises sistêmicas (por exemplo, o caso paradigmático da Alemanha de Weimar). Dada as suas terríveis condições de vida e trabalho, muitos cidadãos pós-comunistas estão perdendo sua antiga crença no capitalismo de estilo ocidental e da democracia liberal. Muitos também estão rejeitando a ideia de que seus países ex-comunistas são realmente democráticos. Percepções negativas da população do desempenho, portanto, não pode, mas afetam as atitudes democráticas (como o valor da democracia é percebida) e, portanto, o chamado "déficit democrático" é estatisticamente muito significativo em toda a região. O governo das elites locais está lentamente perdendo sua legitimidade com as pessoas.
Como resultado, os protestos públicos e distúrbios sociais são comuns, incluindo dúzias de polêmicas revoluções coloridas – ambas bem sucedidas ou não, dependendo da extensão do apoio ocidental para elas – contra governos eleitos popularmente, mas muitas vezes profundamente impopular. Em janeiro de 2011, por exemplo, vários manifestantes foram mortos e 150 ficaram feridos durante uma manifestação antigovernamental na capital albanesa Tirana. O conservador Primeiro Ministro da Albânia Sali Berisha, prometeu que não iria permitir a derrubada de seu governo, mas a oposição realizou novas manifestações em Tirana e em outras cidades albanesas prometeu realizar protestos ainda mais no futuro. Apoiantes da oposição do Partido Socialista culpa as autoridades por crime financeiro generalizado, uma pandemia criminosa e corrupção, o funcionamento da economia para baixo, e a manifesta falta de serviços públicos básicos. Eles também exigem a realização de novas eleições, acusando o governo de massiva fraude de votos durante as eleições de 2009, que pela decisão de Berisha os democratas ganharam por uma margem pequena. As tensões ainda se agravaram quando Berisha acusou publicamente os seus adversários socialistas de uma tentativa de "sublevação no estilo Tunísia", uma referência à recente queda do presidente da sangrenta ditadura da Tunísia em que um grande número de pessoas fora mortas. Protestos similares contra o governo são realizados regularmente na Geórgia pós-soviética, apesar dos esforços das autoridades "democráticas" para esmagar todos os opositores. A descontente oposição culpa o forte homem da Geórgia, Mikheil Saakashvili pela guerra desastrosa de 2008 com a Rússia e pela a sorte do país que está afundando. “A esmagadora maioria da população está no limiar da pobreza. Nada está funcionando na Geórgia, exceto para a policia estadual", Lasha Chkhartishvili da oposição do Partido Conservador disse a jornalistas estrangeiros em visita, em Fevereiro de 2011, durante as manifestações anti-Saakashvili ao redor do prédio do parlamento na capital da Geórgia, Tbilisi. "regime ditatorial de Saakashvili é obrigado a entrar em colapso porque há um fim à paciência das pessoas.”[4]
No momento, todos os olhos estão sobre o mundo muçulmano e na medida em que os esforços pró-democracia das nações árabes estão transformando a política em todo o Grande Oriente Médio. Mas o pavio para revoltas existe em quase todos os lugares, especialmente nas zonas pós-comunistas do mundo. Estourando manifestações para protestar contra a pobreza, desemprego e endêmico roubo oficial, depois de mais de 20 anos de incompetente, corrupto e fraudulento governo pós-comunista – combinado com o desastroso experimento de laissez faire econômico em todo o ex-bloco soviético – produziu uma instabilidade em toda a região, onde a sobrevivência de alguns regimes apoiados no Oeste parece cada vez mais em risco.
Isto é confirmado pela especulação informal sem precedentes que lembra muito o período de antes da queda do comunismo – como muitos comentários de leitores "nos fóruns da mídia local, por exemplo – sobre a instabilidade e a reversibilidade da nova ordem pós-comunista e sua possível substituição pela "democracia revolucionária" do estilo latino-americano”. Este sentimento de insegurança e fragilidade do regime foi reforçado pela onda de nostalgia comunista varrendo várias nações ex-comunistas.
Nostalgia Comunista
Há uma grande desilusão com as promessas não cumpridas das revoluções de 1989, que trouxeram um rápido declínio nos padrões de vida para a maioria dos cidadãos dos extintos países comunistas. O desespero com o empobrecimento generalizado, corrupção, criminalidade e o caos social generalizado que acompanhou a transição ao capitalismo de mercado e democracia produziu um crescimento da nostalgia pelo passado comunista entre pessoas comuns (aquelas que não fazem parte do grupo neocosmopolita de elite pró-ocidente de seus países) que olham para o passado e tem seu apreço aos “velhos tempos" de comunismo aumentado – uma tendência preocupante que é popularmente conhecida na região como “chique Soviético”.
De acordo com uma recente publicação da Romanian Evaluation and Strategy Survey [Avaliação e Pesquisa de Estratégia Romena – N.T], 45% dos romenos acredita que viveria melhor se a revolução anticomunista não tivesse ocorrido. Depois de 21 anos de uma vida pós-comunista turbulenta, 61% dos participantes da pesquisa disseram que hoje vivem em condições muito piores do que viviam no regime de Ceauşescu, enquanto somente 24 disseram que vivem em condições melhores. Se o resultado dessa pesquisa é crível (a pesquisa foi realizada no final de 2010 a partir de uma amostra de 1476 adultos tem margem de erro de 2,7% para mais ou para menos), Ceauşescu tornou-se um mártir que atrai a simpatia da maioria dos romenos. Pelo menos 84% dos entrevistados acreditam ser uma coisa ruim a execução sem um julgamento e 60% lamentam sua morte. [5]
De acordo com uma outra pesquisa recente, 59% dos romenos consideram que o comunismo pode ser uma boa ideia. Cerca de 44% dos entrevistados acreditam que é uma boa ideia que foi mal aplicada, enquanto somente 15% acreditam que foi aplicada corretamente. Somente 29% dos romenos ainda acreditam que o comunismo é uma má ideia.
Não existem diferenças significantes entre homens e mulheres no que diz respeito a esta questão, mas o ponto de vista positivo acerca do comunismo está relacionado à idade e ao lugar onde moram os entrevistados. A maioria das pessoas com mais de 40 anos consideram o comunismo uma boa ideia (incluindo os 74% com mais de 60 anos e 64% daqueles cuja idade varia entre 40 e 59 anos). Mas apenas uma minoria faz isso entre as gerações mais jovens que nem se lembram do regime de Ceausescu (49% daqueles com idade entre 20 e 39 anos e somente 31% daqueles com menos de 20 anos). Os entrevistados moradores de regiões rurais têm uma visão mais positiva – 21% consideram o comunismo uma má ideia, enquanto 34% dos entrevistados da região urbana acreditam nisso. [6] E muitos romenos lembram com saudade do tempo em que a maioria tinha um emprego estável, do baixo custo da habitação providenciada pelo Estado, serviço de saúde gratuito e feriados na costa do Mar Negro subsidiados pelo Estado. “Lamento a morte do comunismo – não por mim, mas pelos meus filhos e netos que vejo se esforçando tanto.” Disse um mecânico aposentado de 68 anos. “Nós tínhamos estabilidade no emprego e salários decentes quando estávamos sob o comunismo. Tínhamos o suficiente para comer e férias anuais com nossos filhos” [7].
O “chique Soviético” é especialmente popular entre os moradores a antiga Alemanha Oriental, onde é conhecido como “Ostalgia” [8]. Segundo um artigo publicado na revista alemã conservadora Der Spiegel, “A glorificação da Republica Democrática Alemã está em ascensão duas décadas depois da queda do muro de Berlim. Os mais jovens e os mais abastados estão entre aqueles que mais criticam a Alemanha Oriental por ser um Estado ilegítimo”. Em uma pesquisa recente publicada pelo Der Spiegel, mais da metade (57%) dos que moravam no lado Oriental da Alemanha defendem a ex Republica Democrática Alemã (RDA). “A RDA tinha mais lados bons que lados ruins. Haviam alguns problemas, mas a vida era boa lá”, dizem 49% dos entrevistados. Oito por cento dos alemães orientais rejeitaram categoricamente qualquer crítica feita a seu antigo país ou concordaram com a afirmação de que “A RDA tinha, em sua maior parte, lados bons. A vida lá era mais feliz e melhor do que hoje na Alemanha reunificada”. O resultado da pesquisa, que foi publicado no aniversário de 20 anos da queda do muro de Berlim, mostra que a nostalgia da extinta Alemanha Oriental atingiu profundamente o coração de muitos alemães do leste. Já não são somente os mais nostálgicos que choram a perda da RDA. Em A new form of Ostalgie has taken shape (“Uma nova forma de ‘Ostalgia’ toma forma” - T.L.] , o historiador Stefan Wolle é citado dizendo “o anseio por um mundo ideal da ditadura ultrapassa o limite de funcionários do governo”, reclama Wolle. “Até mesmo pessoas jovens, que não tinham nenhuma experiência na RDA idealizam hoje.” [9]
“Nem sequer a metade dos jovens da parte oriental da Alemanha descrevem a RDA como uma ditadura, e a maioria acredita que a Stasi era um serviço de inteligência normal”, concluiu em uma pesquisa realizada em 2008 sobre a juventude do leste da Alemanha o cientista político Klaus Schroeder, diretor de um instituto de pesquisa na Universidade Livre de Berlim, que estuda os extintos Estados comunistas. “Esses jovens não podem e na verdade não têm vontade de conhecer o lado escuro da RDA”. A própria pesquisa de Schroeder dá uma visão surpreendente acerca do pensamento de muitos cidadãos descontentes com a extinta RDA. “Da perspectiva de hoje, eu acredito que fomos expulsos do paraíso quando o muro caiu”, um alemão do Leste é citado, enquanto outro, um de 38 anos, agradece a Deus por ter vivido na RDA, porque foi depois da reunificação alemã que viu, pela primeira vez, as pessoas sem abrigo, mendigos e pessoas pobres que se preocupam com formas de sobreviver. A Alemanha de hoje é descrita por muitos alemães da extinta RDA como um “Estado de escravos” e uma “ditadura capitalista”, enquanto alguns rejeitam totalmente a Alemanha reunificada por ser, em sua opinião, muito capitalista e ditatorial e certamente antidemocrática. Schroeder considera tais afirmações alarmantes: “Receio que a maioria dos alemães orientais não se identifica com o sistema sociopolítico vigente”. De acordo com outro ex cidadão da RDA citado no mesmo artigo da Der Spiegel, “No passado, um acampamento foi (...) um lugar onde as pessoas aproveitavam sua liberdade juntas”. E o que mais ele sente falta hoje em dia é “aquele sentimento de companheirismo e solidariedade”. Sua opinião a respeito da RDA é clara: “Na minha concepção, o que tínhamos naquela época era menos uma ditadura do que o que temos hoje”. Ele não só quer ver os salários e pensões iguais como na RDA, mas também reclama que as pessoas trapaceiam e mentem em toda a Alemanha unificada, e as injustiças que hoje são perpetradas de uma forma mais tortuosa que na RDA, onde salários de fome e criminalidade eram desconhecidos.
Em reação à propagação da região de nostalgia comunista e também às mudanças na opinião pela qual o ultimo líder comunista polonês, Wojciech Jaruzelski, tornou-se mais popular que o outrora reverenciado, mas agora marginalizado ícone anticomunista– Ex chefe do Sindicato Solidariedade, Nobel da Paz e, mais tarde, presidente Lech Walesa -, poloneses fervorosamente anticomunistas têm revisto o Código Penal para incluir a proibição formal de todos os símbolos do comunismo. De acordo com a nova lei, pior que a Inquisição católica medieval, podem ser multados e presos se forem pegos cantando o hino da Internacional, por exemplo, ou se carregarem uma bandeira ou estrela vermelhas ou, ainda, a insígnia da foice e martelo entre outros símbolos da era comunista, além da camiseta do Che Guevara. Da mesma forma, o governo conservador Tcheco está tentando colocar na ilegalidade o Partido Comunista da Bohemia e Morávia (embora neste último o Partido Comunista tenha conseguido mais de 11% dos votos populares nas ultimas eleições parlamentares e tem representante nas duas casa do parlamento nacional) porque as lideranças do partido se recusam a tirar a pecaminosa palavra “comunista” do nome do partido. Vários ex membros comunistas da União Europeia recentemente pressionaram, em Bruxelas, para que se instaurasse uma proibição na União Europeia de negar ou subestimar os crimes dos antigos regimes comunistas. “O principio da justiça deve assegurar um tratamento justo para as vítimas de todos regimes totalitários”, os ministros de relações exteriores da Bulgária, Republica Tcheca, Hungria, Letônia, Lituânia e Romênia escreveram em uma carta entregue ao comissários de Justiça da União Europeia, na qual insistiram que “apologia publica, negação ou banalização de crimes totalitários” deve ser criminalizado em todos os países da União Europeia. Por iniciativa de deputados anticomunistas de países pós comunistas, o parlamento europeu já aprovou uma resolução controversa sobre “totalitarismo”, o que equipara comunismo ao nazismo e fascismo. Mas todas essas medidas punitivas dificilmente limitaram a onda de nostalgia comunista: a camiseta mais popular entre os berlinenses do Leste é uma que diz: Devolva meu muro. E desta vez, construa-o duas vezes mais alto!”.
Os países ex-comunistas são os próximos?
Com a atenção do público e dos governos ocidentais centrada agora sobre as tensões e tumultuados conflitos no mundo árabe, as pessoas tendem a ignorar ou esquecer as crises que agarram as nações ex-comunistas. Dadas a crescente desigualdade, a miséria, a corrupção do governo e o crime organizado que têm caracterizado a ordem pós-comunista, a situação nessas terras ex-comunistas não é menos inflamável do que no Norte de África e do Oriente Médio, e um dia destes ela poderá vir a ser muito mais insegura do que é agora imaginado. A Tunísia, o Egito ou mesmo a Líbia, é um cenário mais provável para o futuro desta conturbada região?
Agora, os cidadãos de longo sofrimento, contudo muito pacientes desses países em transição, estão cerrando os dentes na esperança de que a próxima eleição vai levar ao poder um salvador messiânico em um cavalo branco que – juntamente com assistência muito mais generosa do que os bolsos supostamente sem fundo do Ocidente – vai finalmente libertar de sua falência, as sociedades atingidas pelo abismo da pobreza em que caíram.
As pessoas comuns na parte pós-comunistas do mundo acreditam que suas revoluções democráticas e grandes expectativas foram traídas, roubadas ou sequestradas por várias “forças obscuras”, que vão desde as elites ex-comunistas que agora substituiu seu antigo poder político com o poder do dinheiro, com uma aliança corrupta (na visão de muitos esquerdistas nativos) entre ambiciosos pseudo-democratas locais e gananciosos capitalistas ocidentais e, finalmente, a uma insidiosa conspiração envolvendo o FMI, o Banco Mundial, a Fundação Soros, e "financiamento internacional judeu "(geralmente aos olhos dos nacionalistas de extrema-direita). Como ironiza Sir Robert Chiltern em espirituosa comédia de Oscar Wilde, Um Marido Ideal: “Quando os deuses desejam nos punir, eles respondem a nossas orações”.
Só o tempo dirá se as orações respondidas das nações ex-comunistas acabarão por revelarem-se uma punição de cima. Por outro lado, pode abrir novas perspectivas para essas nações que lutam para resistir ao poder esmagador dos bancos internacionais e empresas multinacionais através da adoção de reformas progressistas que visam a criação de uma ordem democrática mundial não controlada pelos senhores da globalização e as elites locais que os servem.

Notas
[1] George Jahn, “In Romania, Turmoil Fuels Nostalgia for Communism,” Washington Post, 11 de janeiro de 2011.
[2] Michael Hudson and Jeffrey Sommers, “Latvia Provides No Magic Solution for Indebted Economies,” Guardian.co.uk, 20 de dezembro de 2010.
[3] “There’s More at Stake than Just Freedom of the Press,” Der Spiegel International, 19 de janeiro de 2011.
[NT] "Absurdistan" é um termo utilizado para designar um país onde políticas absurdas são comuns, sem tradução literal para o português.
[4] “Saakashvili Has Turned Georgia into A Police State,” Interfax, 11 de fevereiro de 2011.
[5] “45% of Romanians Say ‘Ceauşescu, Please Forgive Us for Being Drunk in December (1989)’,” Bucharest Herald, 29 de dezembro de 2010.
[6] Os resultados desta pesquisa realizada com uma amostra representativa dos romenos entre 22 de Outubro e 01 de novembro de 2010 foram divulgados pelo Instituto de Investigação de Crimes Comunista e da Memória dos Exilados Romenos em http://www.crimelecomunismului.ro/en/about_iiccr.
[7] Jahn, “In Romania, Turmoil Fuels Nostalgia for Communism.
[8] “Ostalgie” é derivado das palavras alemãs Ost (leste) e Nostalgie (nostalgia) e refere-se ao sentimento generalizado de saudade de muitos aspectos da vida da antiga República Democrática Alemã.
[9] Julia Bonstein, “Majority of East Germans Feel Life Better under Communism,” Der Spiegel International, 3 de julho de 2009.
[10] Ibid. O jornal britânico The Guardian, marcou o aniversário de 20 anos desde a queda do Muro de Berlim com um artigo de uma acadêmica ex-Alemanha Oriental ue similarmente lamentou o fim da RDA, que, afirmou, ofereciam "igualdade social e de gênero, o pleno emprego e a falta de medos existenciais, bem como rendas subsidiadas". Segundo ela, a unificação tem "trazido desagregação social, desemprego generalizado, listas negras, um crasso materialismo e uma "sociedade de cotovelo ...." Veja Bruni de la Motte, “East Germans Lost Much in 1989: For Many in the GDR the Fall of the Berlin Wall and Unification Meant the Loss of Jobs, Homes, Security and Equality”, Guardian.co.uk, 8 de novembro de 2009.

Traduzido para Diário Liberdade por Pamela Penha
 
Opinião dO Cachete:
A claque capitalista sempre argumenta que o Comunismo não deu certo em lugar algum do mundo. E eu pergunto: Aonde o Capitalismo deu certo? Basta olhar as favelas, os guetos, as palafitas...  O Capitalismo só deu certo para as classes mais abastadas. Os menos favorecidos é que entendem bem disso! Quem passa fome, frio e falta de assistência social dos Governos é que sabe aonde o sapato - quando tem um sapato - aperta!
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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma."
(Joseph Pulitzer)