Cachete - S. M. Antigamente, no Nordeste do Brasil, era assim que se chamava qualquer comprimido para dor.

sábado, 26 de março de 2011

Em Manaus, Bill Clinton se diz Contra Hidrelétricas na Amazônia

O ex-presidente Bill Clinton afirmou em Manaus que o Brasil tem que refletir sobre os impactos da construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. "Não tenho paciência para pessoas que criticam e não dão alternativas", disse Clinton durante palestra no Fórum de Sustentabilidade de Manaus neste sábado.
"Qual a alternativa? Vocês precisam de eletricidade e querem preservar a floresta. E 20% do oxigênio mundial vem de vocês. Não é fácil, mas vocês têm que pensar sobre essas coisas, sobre o futuro de seus filhos e netos. É preciso pensar na população indígena, nos animais, nas espécies de plantas que podem ter a cura para doenças." 


Bruno Kelly/AFP/A Critica
Em Manaus, Bill Clinton criticou construção de hidrelétricas na Amazônia e comentou ainda a onda de revoltas
Em Manaus, Bill Clinton criticou construção de hidrelétricas na Amazônia e comentou ainda a onda de revoltas
O ex-presidente, que contou ter se encontrado momentos antes de sua palestra com o cineasta James Cameron, que milita contra a construção de Belo Monte, falou com entusiasmo sobre a geração de energia a partir de lixões. "Se eu pudesse, fechava os aterros sanitários do mundo, tirava o material reciclável e queimava o lixo para transformar em energia."
A geração de energia a partir do lixo faz parte de um programa da fundação Clinton também defendeu o uso de energia solar e eólica e elogiou os esforços da Alemanha, que nos últimos anos se transformou no maior produtor de energia solar do mundo.
O ex-presidente também elogiou o programa brasileiro de etanol e defendeu a redução das tarifas de importação do produto nos EUA. "Vocês produzem etanol de forma mais eficiente do que a gente", disse.
"Espero que o acordo de biocombustíveis assinado com o presidente [Barack Obama] leve a uma redução da tarifa de importação de etanol de cana." Ele lembrou que os ex-presidentes Lula e George W. Bush também assinaram um acordo de biocombustível, mas que este não gerou nenhum resultado. "Espero que agora vocês consigam levar a produção de vocês para a América."
Clinton também elogiou o esforço do Brasil na redução do desmatamento na Amazônia e foi aplaudido ao afirmar esperar que o Brasil lidere o mundo no século 21. "Vocês não imaginam o quanto o resto do mundo depende do sucesso de vocês em conseguir aliar crescimento com sustentabilidade."

Engolido da Folha

Opinião dO Cachete:
Duas perguntas, Tio Severino(*) Clinton: Cadê a mocréia da Mônica Lewinsky? E por que vocês não assinam o Tratado de Kyoto? Depois disso, você volta aqui e fala as bobagens que quiser, buana! Pega o beco, Vovô!

(*) No Nordeste, quem se chama Severino é apelidado de "Biu". Não me perguntem por que!

Documentário Zeitgeist Addendum - Completo e Legendado


Muito Bom!

Para aparecer a legenda em Português, clique no Botão [CC] da tela e depois em "Translate Captions" e escolha o idioma Português com as setas de direção do teclado. Um excelente documentário!

Noblat - O Gênio da Matemática


Te cuida, Oswald de Souza!
 Veja in loco

Pensei que a aula de matemática do Serra era o fundo do poço! Malba Tahan está se revirando no túmulo!

Engolido do Blog Bobagento

Parque Dona Lindu - Uma Homenagem Justíssima


Placa do Parque Dona Lindu
Imagem By O Cachete


Escultura Os Retirantes
Imagem By O Cachete

Os equipamentos culturais do Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, serão inaugurados neste sábado, com apresentação do cantor pernambucano Leline e da Orquestra Sinfônica do Recife. O show, apenas para convidados, acontece a partir das 21h, no Teatro Luiz Mendonça. O repertório conta com 13 canções.
A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) montou um plano especial de monitoramento no entorno da área para assegurar a fluidez do tráfego. A operação contará com um efetivo de 30 agentes e terá início às 17h. A via local da Avenida Jequitinhonha, na altura do parque, foi interditada às 6h da manhã de hoje
A partir das 17h será realizado o monitoramento do tráfego, na Avenida Boa Viagem e vias próximas para facilitar a passagem dos veículos e a travessia dos pedestres que irão prestigiar a abertura da exposição de Abelardo da Hora e o show de Lenine com a Orquestra Sinfônica.
O esquema especial da CTTU permanecerá na área do evento até a meia noite do domingo (27), momento em que o trânsito deverá voltar à normalidade. “O ideal, em grandes eventos, é o público priorizar o transporte coletivo para o deslocamento. Mas se utilizar veículo particular, o condutor deve se programar para chegar meia hora antes do show para evitar o tráfego intenso”, recomenda o gerente de Operações de Trânsito, Wagner Rodrigues.

Engolido do Portal Pernambuco.Com

Blogueiro Baleado - Reportagem Record


E mais uma vez um delegado culpa a vítima!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Documentário Zeitgeist - Completo e Legendado


Para aparecer a legenda em Português, clique no Botão [CC] da tela e depois em "Translate Captions" e escolha o idioma Português com as setas de direção do teclado. Um excelente documentário!

O STF Decidiu Ontem: A Ficha Limpa Só Será Válida Para 2012.


Luiz Fux: "Não!"
Foto Revista Exame

O Ministro Luiz Fux quebrou todas as expectativas e frustrou a sociedade brasileira ao dar o voto do desempate que liberou os corruptos barrados a assumirem seus postos no Congresso Nacional. Ao ser apontado para o STF, o Ministro Fux elogiou a Ficha Limpa dizendo que ela “conspira a favor da moralidade”. Somente ontem ficamos sabendo do seu verdadeiro posicionamento.

O voto do Ministro Fux significa que corruptos famosos como Jader Barbalho, João Capiberibe e Cássio Cunha Lima irão assumir seus cargos. É um tapa na cara da sociedade brasileira que lutou árduamente pela aprovação da Ficha Limpa.

Vamos dizer para o Ministro Luiz Fux o que pensamos, clique abaixo para enviar uma mensagem para ele:

http://www.avaaz.org/po/mensagens_luiz_fux

Cinco Ministros do STF, o Ministério Público Federal e o Tribunal Superior Eleitoral, todos analisaram a Ficha Limpa e concordaram que a sua validade para 2010 é plenamente constitucional. Até a Ministro Fux ser apontado havia um empate de 5 juízes contra e 5 a favor da validade da Ficha Limpa para 2010. Ele deveria ter quebrado o empate favorecendo o povo brasileiro, não os interesses dos corruptos.

Brasileiros de todos os cantos do país se uniram em uma escala fenomenal e lutaram bravamente para aprovar a Ficha Limpa. No começo poucos acreditavam que ela seria aprovada, mas juntos nós pressionamos os deputados durante todo o trâmite da lei no Congresso, garantindo que a Ficha Limpa finalmente se tornasse lei. E nós vencemos. Mais de 2 milhões de nós fizemos isto acontecer. O entusiasmo pela aprovação da Ficha Limpa tomou conta da mídia e da sociedade, simbolizando uma nova era na política brasileira.

O Ministro Luiz Fux foi bem recebido pelos grupos da sociedade civil como um “apoiador da Ficha Limpa” porém ontem, ele decepcionou a todos nós. Há pouco que podemos fazer para reverter a decisão do STF, mas vamos inundar os emails do Ministro Fux com mensagens de todo o Brasil, mostrando a nossa indignação. Clique abaixo para enviar a sua:

http://www.avaaz.org/po/mensagens_luiz_fux

Este não é o fim desta história, ainda temos um longo caminho a percorrer para consertar a política brasileira, acabar com a impunidade e finalmente ter políticos decentes nas urnas. Não será fácil, mas este é um movimento do povo brasileiro e com determinação, nós temos o poder de gerar as mudanças a longo prazo que o nosso país tanto merece.

Com esperança,

Alice, Graziela, Ben, Laura, Milena, Pascal, Ricken e toda a equipe Avaaz

Leia mais:

Fichas-sujas comemoram decisão do STF:
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/fichassujas+comemoram+decisao+do+stf/n1238187815196.html

Fux vota pela validade da Lei da Ficha Limpa só em 2012:
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5024770-EI7896,00-Fux+vota+contra+Ficha+Limpa+em+lei+pode+valer+so+em.html

Ficha Limpa: Voto de Minerva do ministro Luiz Fux recebe críticas no meio jurídico:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/03/23/ficha-limpa-voto-de-minerva-do-ministro-luiz-fux-recebe-criticas-no-meio-juridico-924075303.asp

Veja quem pode ganhar vaga no Congresso após decisão do STF:
http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/03/veja-quem-pode-ganhar-vaga-no-congresso-apos-decisao-do-stf.html

Presidente da OAB diz que voto de Fux 'frustra sociedade':
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5025086-EI7896,00-Presidente+da+OAB+diz+que+voto+de+Fux+frustra+sociedade.html

Validade da Ficha Limpa em 2010 é um 'acerto', diz procurador:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/892859-validade-da-ficha-limpa-em-2010-e-um-acerto-diz-procurador.shtml

Eles estão de volta: Jader, Cunha Lima e os Capiberibes:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/03/23/eles-estao-de-volta-jader-cunha-lima-os-capiberibes-370720.asp

Decisão do STF abre as portas do Congresso para condenados por corrupção:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5026374-EI294,00-Decisao+do+STF+abre+as+portas+do+Congresso+para+condenados+por+corrupcao.html
Recebido por e-mail do Portal Avaaz.org

Família de JK vai à Justiça para protegê-lo de Kassab

Anna Christina Kubitschek Pereira, neta de Juscelino, decidiu levar o prefeito Gilberto Kassab às barras dos tribunais.

Presidente do Memorial JK, monumento assentado em Brasília, a neta do ex-presidente abespinhou-se com uma iniciativa do ‘ex-demo’ Kassab.

O prefeito registrou em 14 de março um novo domínio de internet: www.jk.org.br. Planeja associar as iniciais do ex-presidente ao seu “novo” partido.

Inicialmente, Kassab pretendia dar à sua legenda o nome de PDB (Partido Democrático Brasileiro).

O diabo é que a sigla logo ganhou uma tradução jocosa: “Partido Da Boquinha”. Para fugir da piada, Kassab recorreu à anedota.

Rebatizou sua agremiação de PSD (Partido Social Democrático). E passou a associar a iniciativa a Juscelino Kubistchek.

Como se sabe, PSD era o nome do partido pelo qual JK elegeu-se presidente do Brasil em 1955. Foi extinto depois que a ditadura militar impôs ao país o bipartidarismo.

O repórter Sérgio Roxo informa que a neta de Juscelino enxergou na esperteza de Kassab uma iniciativa tóxica.

Antecipada na véspera pelo repórter Cláudio Humberto, a irritação da família de JK foi despejada numa nota da neta:

“JK é patrimônio do Brasil e dos brasileiros. Seu nome pertence à história da democracia nacional”, escreveu.

Para ela, o nome do avô “não pode ser usado sem o prévio consentimento da família Kubitschek e muito menos sem aprovação do Conselho do Memorial JK”.

Anna Kubitschek deixou claro que leva os lábios ao trombone “em nome da minha família e do Conselho do Memorial, que eu presido”.

Ela acrescenta: “Repudio a maneira inadequada com que o prefeito Gilberto Kassab se apropriou da sigla do meu avô para nominar sua rede social...”

“...Informo ainda que providências legais serão tomadas para coibir este tipo de política que um verdadeiro democrata jamais ousaria praticar”.

Ouvido, Kassab disse que, antes de registrar o domínio de internet, avisou a filha de JK, Maria Estela. Vem a ser tia de Anna Kubitschek.

O prefeito não se deu por achado: “Caso tudo dê certo, nós iríamos depois consultá-la, para ver se a família liberaria a marca”.

Os tempos verbais utilizados pelo prefeito não fazem nexo. “Dê” não orna com “iríamos”.

Ou Kassab diz “caso tudo desse certo” ou troca iríamos por “iremos depois consultar”.

De resto, o uso do vocábulo “marca” não soa delicado. Empresta ao velho Juscelino a aparência de um produto de ocasião.

Um detalhe injeta na pendenga um quê de inusitado. Anna Kubitschek é casada com Paulo Octávio, ex-vice governador na “panetônica” gestão de José Roberto Arruda.

No período em que Arruda foi recolhido a uma cela especial da Polícia Federal, Paulo Octávio chegou a assumir a cadeira de governador do Distrito Federal.

Viu-se, porém, compelido a renunciar ao cargo depois que as denúncias mergulharam Brasília no caos absoluto.

Paulo Octávio recebeu do partido ao qual era filiado o mesmo tratamento dispensado a Arruda.

Ameaçado de expulsão, o marido de Anna Kubitschek antecipou-se ao inevitável, desfiliando-se da legenda.

O nome da agremiação? DEM. A mesma legenda que Kassab abandonou para embrenhar-se na aventura que inclui a apropriação –aparentemente indébita— da sigla JK.

O barulhinho que você ouve ao fundo é o ruído do ex-presidente revirando-se na tumba.

Engolido do Blog do Josias

Opinião dO Cachete:
"Jilberto" Kassab pode até sair do DEM, mas o DEM nunca sairá do Kassab. Ele vai continuar sendo ridículo, maluco e inconsequente!

quinta-feira, 24 de março de 2011

PM do Rio de Janeiro: Uma Imagem que Causa Revolta!


Mais um Canalha Fardado. Covarde!
Foto: Jornal O Globo

Ainda ontem colocamos aqui um video mostrando uma tentativa de homicídio perpetrada por um policial da PM do Amazonas. Hoje mostramos esta imagem covarde e cruel de um canalha que deveria estar defendendo a população e não atacando crianças indefesas com spray de pimenta. Um policial da PM do Rio de Janeiro! Governador Sérgio Cabral, em nome das pessoas de bem deste País e deste belo Estado,  por favor, tome providências imediatas contra este marginal de farda! Isso merece uma punição exemplar e um expulsão sumária da Corporação.

O Trágico Fracasso do "Pós-Comunismo" no Leste Europeu

 

O Sofrido Leste Europeu

Global Research - [Dr. Rossen Vassilev, Tradução de Diário Liberdade] 8 de março de 2011. Pouco antes do Natal, em 2010, um engenheiro da televisão pública perturbado, protestando contra as controversas políticas econômicas do governo, atirou-se de um balcão no parlamento romeno durante um discurso do primeiro-ministro do país. O homem que sobreviveu à tentativa de suicídio, segundo informações, teria gritado antes de saltar: “Você tomou o pão para longe da boca dos nossos filhos! Você matou o futuro dos nossos filhos!”. O manifestante hospitalizado, vestido com uma camisa declarando: “Vocês mataram o nosso futuro!”, mais tarde foi identificado como, Adrian Sobaru de 41 anos, cujo filho adolescente autista tinha perdido recentemente o auxílio do governo como parte da última etapa de corte orçamentário de Bucareste. Sua tentativa de suicídio foi transmitida ao vivo na TV pública da Romênia no momento em que o primeiro-ministro Emil Boc falou de um mal sucedido voto contra o insucesso do seu gabinete conservador.

As medidas de austeridade fiscal e salarial que o Sr. Sobaru estava protestando incluiu um corte de pagamento de 25% para todos os funcionários públicos como ele, assim como reduções severas nos pagamentos de assistência social para os pais com filhos deficientes, que também tinha recebido, até recentemente. De acordo com a Agência de Noticias romena Agerpes, o choro desesperado do homem no parlamento foi dolorosamente ecoando os ouvidos durante a Revolução anti–Comunista de 1989 que derrubou o dissidente romeno e geralmente pró-ocidental, o regime de Nicolae Ceauşescu.
Tumulto econômico
O salto trágico do Sr. Sobaru, mais tarde televisionado para todo o mundo, golpeou uma simpática emoção em muitos romenos que o viam como um símbolo das desigualdades e injustiças selvagens do período pós-comunista. A Romênia está atolada em uma recessão grave, e sua economia exaurida deverá diminuir em pelo menos 2% em 2010, após ter contraído 7,1% no ano anterior. Ao invés de tentar ajudar os desempregados e os socialmente necessitados, o governo de Bucareste, que é declaradamente crivado de clientelismo, corrupção e nepotismo, cortou salários do setor público em um quarto e aparou todos os gastos sociais, incluindo os subsídios de aquecimento para os pobres bem como os de desemprego, maternidade e benefícios por incapacidade. Ao mesmo tempo, o imposto nacional de vendas foi de 19% subiu para 24%, pois as autoridades estão se esforçando para manter o déficit nacional até 6,8%, a fim de atender às rigorosas exigências fiscais da União Europeia (UE), que a Romênia havia se juntado em janeiro de 2007 .
Estas duras políticas de austeridade irritaram milhões de romenos que mal estão conseguindo sobreviver em uma nação onde a média de renda mensal per capita é de cerca de 400 dólares. Irritados protestos de rua em que se reuniram dezenas de milhares de romenos refletem a profunda insatisfação com a pobreza em massa e a contínua crise econômica, que levou a Romênia à beira da falência. “Este não é o capitalismo, nos países capitalistas você tem uma classe média”, um gerente de loja de conveniência em Bucareste disse a um repórter da Associated Press. Mas a sociedade romena, queixou-se, é dividida entre uma pequena minoria de pessoas muito ricas e uma vasta classe baixa empobrecida [1].
Quanto ao drama humano testemunhado no Parlamento Romeno, nesse dia de véspera de Natal é bastante sintomático da miséria generalizada no país dos Bálcãs e esperanças frustradas de uma vida melhor, ele poderia facilmente ter acontecido em qualquer outro dos países em crise do mundo ex-comunista que igualmente sofrem de elevado desemprego, a pobreza em massa, queda dos salários e cortes nos gastos públicos e padrões de vida. Na época da tentativa desesperada de suicídio do Sr. Sobaru, muitos do 20.000 médicos hospitalares da República Tcheca demitiam-se em massa para protestar contra a decisão do gabinete do primeiro-ministro Petr Necas de cortar todos os gastos públicos, incluindo as despesas de saúde, em pelo menos 10 %, a fim de manter as finanças conturbadas do país sem dívidas. Essas demissões em massa eram parte da campanha "Obrigado, estamos partindo", lançada pelos médicos insatisfeitos em todo o país, visando exercer pressão sobre as autoridades de Praga para aumentar os seus baixos salários e proporcionar melhores condições de trabalho para todos os trabalhadores da saúde. Confrontada com a pior crise de saúde na história do país ex-comunista, que colocou em perigo as vidas de muitos pacientes, o governo tcheco ameaçou impor um estado de emergência, que forçaria os médicos, ou voltar ao trabalho ou enfrentar duras sanções legais e financeiras.
Também se pode lembrar a grande parte não declarada, distúrbios alimentares em 2009 na Letônia, o muito elogiado "milagre Mar Báltico" queridinho da mídia ocidental, onde o impopular primeiro-ministro Valdis Dombrovskis foi reeleito em 2010 apesar de ter feito severos cortes de gastos públicos e promover escassas condições de vida aos letões (a campanha eleitoral centrou-se, em vez disso, no confronto desagradável entre os nacionalistas da Letônia e da minoria considerável e inquieta do país de língua russa). Segundo o professor Michael Hudson, importante pesquisador, Professor de Economia da Universidade do Missouri, como cortes do governo no bem-estar social, educação, saúde, transporte público, e outras despesas de infraestruturas sociais básicas ameaçam minar a segurança econômica, desenvolvimento em longo prazo, e estabilidade política nos países da ex-bloco soviético, os jovens estão emigrando em massa para melhorar as suas vidas ao invés de sofrer em uma economia sem oportunidades de emprego.
Quando a "bolha neoliberal" estourou em 2008, o professor Hudson escreveu, o governo conservador da Letônia tomou empréstimos pesadamente da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional sob prazos punitivos de reembolso que impuseram essa política de austeridade dura que encolheu a economia da Letônia em 25% (os vizinhos Estônia e Lituânia experimentaram um declínio econômico igualmente íngreme) e de desemprego, atualmente em 22%, continua a aumentar. Como bem mais de um décimo de sua população agora trabalha no estrangeiro, os trabalhadores convidados da Letônia enviam para casa o que eles podem poupar para ajudar suas famílias indigentes sobreviver. As crianças da Letônia (alguns deles estão como o casamento do país báltico, e as taxas de natalidade estão despencando) têm sido assim, "deixou órfãs para trás", alertando os cientistas sociais a se perguntar como esta pequena nação de 2,3 milhões de pessoas pode sobreviver demograficamente [2]. Esses são os resultados dos orçamentos da austeridade do pós-comunismo que cortaram as pessoas comuns na altura dos joelhos, enquanto os credores internacionais e os banqueiros locais são socorridos.
O aumento do populismo de direita
A profunda crise econômica e o aumento do desemprego em todo o mundo ex-comunista trouxe ao poder alguns partidos políticos radicais e políticos abraçando o populismo nacionalista de direita. Fidesz Hungria (União Cívica Húngara), um partido nacionalista descaradamente de direita, conquistou 52,73% dos votos nas eleições legislativas de Abril de 2010. Jobbik (Movimento para Hungria melhor), um partido xenófobo de extrema-direita, ficou em terceiro com 16,67% dos votos. Em meio a uma desastrosa recessão econômica, a direita nacionalista ganhou a maioria do voto popular através da recuperação húngara tradicional do bode expiatório das minorias étnicas e culpando os judeus e os ciganos em especial pelo desemprego generalizado do país e da pobreza. Quando Oszkár Molnár, membro de Fidesz, líder eleito para o novo parlamento, proclamou: "Eu amo a Hungria, eu amo os húngaros, e eu prefiro interesses húngaros ao capital financeiro global, ou de capital judio, que quer devorar o mundo inteiro, mas especialmente na Hungria”, ele não foi sequer repreendido publicamente por qualquer um dos seus colegas de partido.
Em dezembro de 2010, os dois terços de Fidesz no parlamento permitiu avançar com uma lei draconiana para a imprensa, a qual deu liberdade ao governo para exercer controle mais rigoroso sobre a imprensa privada. Esta polêmica nova lei desencadeou manifestações nas ruas de Budapeste com muitos húngaros carregando cartazes em branco para protestar contra a proposta de censura do governo. Também atraiu críticas no Parlamento Europeu (Hungria tornou-se membro da União Europeia em Maio de 2004) por ser uma "ameaça à liberdade de imprensa" e um "grave perigo para a democracia", prevendo multas enormes e demais penalidades legais aos meios de comunicação e pontos de Internet que ousarem publicar ou transmitir informação "desequilibrada" ou "imoral”, especialmente alguma que seja crítica ao governo, em uma nação onde um em cada três vive abaixo da linha da pobreza. Críticos tem reclamado que a mais restritiva lei de imprensa da Europa irá asfixiar o pluralismo e voltar o relógio sobre a democracia neste país ex-comunista
A imprensa alemã tem difamado especialmente o Primeiro Ministro da Hungria, Viktor Orban, não apenas para tentar amordaçar a mídia local, mas também por perseguir o controle do partido Fidesz e transformando a Hungria num totalitário "Führerstaat" (comentaristas húngaros igualmente queixaram-se que seu país está rastejando "Orbánization"). Károly Voros, editor-chefe do jornal húngaro Nepszabadsag, queixou-se que a nova lei da imprensa quer “dissipa um sentimento de medo nas almas dos jornalistas” e que “todo o estado constitucional está sistematicamente dissolvendo” [3] na Hungria. Mas sentindo forte apoio do público em casa, dado a ofensiva anticapitalista, anti-União Europeia, e de humor antiamericano dos húngaros apanhado no turbilhão da globalização, o populista Orbán, semelhante a Berlusconi, no passado, tomou uma posição desafiadora, alertando a UE a parar de se intrometer nos assuntos internos da Hungria: “É a União Europeia que deve ajustar-se a Hungria não a Hungria à União Europeia...” (Hungria assumiu oficialmente a presidência rotativa da UE de seis meses em 1 de Janeiro de 2011). Mas o que muitos húngaros suspeitam é que a nova lei de imprensa era apenas um truque esperto para distrair a atenção pública dos terríveis problemas econômicos do país.
Outra figura autocrática, Boyko Borisov, um ex-chefe da polícia nacional com um incerto passado comunista que possui vínculos com o submundo do crime local, governa a Bulgária, a qual tornou-se membro da UE em janeiro de 2007 apesar de ser o mais corrupto e criminalizado Estado no antigo bloco do Leste além do notório governo da máfia em Kosovo (outro candidato escandaloso esperando tornar-se futuro membro da UE já em 2015). O sucesso eleitoral do homem forte Borisov, como Mussolini, e sua GERB de direita (Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária) nas eleições de julho de 2009 foi surpreendente em um país em que a situação tornou-se a mais emblemática da trajetória aberrante da região pós-comunista e do atual descontentamento. Por quase todos os indicadores macroeconômicos, a Bulgária está em pior forma agora do que no passado comunista.
Estatísticas oficiais mostram que tanto o produto interno bruto (PIB) e a renda per capita da população despencou, a rede de previdência se desintegrou, e até mesmo a sobrevivência física de muitos búlgaros pobres está em perigo. Os efeitos imediatos das “reformas” orientadas para o mercado tem sido a destruição da indústria e agricultura da Bulgária, desemprego, inflação, flagrante desigualdade de renda, pobreza esmagadora, e até mesmo a desnutrição. Crime organizado e corrupção endêmica, sob a forma de nepotismo e clientelismo, a corrupção no trabalho, peculato, recebimento de propina, tráfico de influência, contrabando, esquemas de proteção, de jogatina, prostituição e de pornografia tem cobrado um alto preço no nível de vida pós-comunista e de subsistência. Outro efeito infeliz é a negligência generalizada dos direitos econômicos e sociais dos búlgaros ‘comuns’, para muitos deles, a jornada de trabalho de 8 horas é agora apenas uma memória.
O catastrófico ambiente econômico, por sua vez gerou um clima político bastante volátil e imprevisível. Nenhum governo eleito durante o tempestuoso período pós-comunista sobreviveu no cargo por mais de um semestre (e muitas vezes até menos que isso). Essa volatilidade ilustra a natureza instável e imprevisível da política na Bulgária, devido à situação econômica catastrófica, e a gritante incapacidade das elites partidárias existentes para oferecer uma solução confiável. Fartos de declínio econômico, negligência do governo, roubo de alta qualidade, crime e corrupção, os búlgaros têm uma e outra vez votos de protesto contra a opressão do poder incompetente, interesseiro, corrupto e panelinhas criminalizadas dos políticos, do partido, em busca do ganho pessoal. Mas o fim de sua miséria parece longe de vista, especialmente no gabinete Borisov, já instituiu um orçamento de austeridade draconianas, o corte não menos de 20% de todos os gastos públicos.
Ao mesmo tempo, a política se tornou de longe o negócio mais lucrativo – mais rentável e também muito menos arriscado do que qualquer atividade empresarial sem fins lucrativos. Isso transformou os partidos políticos em algo semelhante a trapaceiras corporações empresariais – bem organizadas, de predadores sem escrúpulos e aspirantes a assumir as rédeas do poder a fim de se enriquecer, explorando um povo apático e semelhante a um gado, e saqueando os recursos da Bulgária, especialmente agora que o país pode contar em receber quantidades substanciais de ajuda externa e investimento da UE. Poderosos interesses econômicos, de origem muitas vezes criminosas, que se alinharam e financiaram cada um dos principais partidos políticos, acrescentando elementos fortemente plutocráticos ao que é essencialmente uma oligarquia cleptocrática, mafiosa. É por isso que as pessoas comuns não veem nenhuma diferença entre seu governo cheio de corrupção e organizações criminosas bem estruturadas da Bulgária. Não é surpreendente que os búlgaros tendem a se referir ao seu país como um "Estado mafioso", uma "República das bananas", um "circo" e "Absurdistan” [NT]. Eles ainda estão esperando a chegada há muito prometida do capitalismo "normal" e democracia "normal", onde a segurança econômica pessoal, salários justos, e os padrões de vida decentes irão substituir o elevado desemprego de hoje, miséria, falta de moradia e desânimo social. Cerca de 1,2 milhões de búlgaros (16% da população), principalmente os jovens, se encontram em busca de melhores oportunidades no estrangeiro (a pobreza impulsionou a emigração e ajudou a reduzir a população pós-comunista da Bulgária, perto dos 9 milhões em 1989 para cerca de 7 milhões de hoje).
Colapso do apoio popular
Logo após a queda do comunismo, os países do antigo bloco soviético e outros Estados ex-comunistas da região foram economicamente neoliberalizados (alguns deles foram territorialmente desmembrados) e, exceto para pequenas elites locais pró-ocidentais, que foram para fora como bandidos, sua população tornou-se pobre como no Terceiro Mundo. Quase todos esses 28 países euro-asiáticos sofreram um declínio econômico de longo prazo de proporções catastróficas (só a Polônia ultrapassou em muito o PIB da sua era comunista). Graves problemas econômicos, corrupção arraigada e generalizada frustração popular com as dificuldades e privações da transição aparentemente interminável pós-comunista estão a minar o prestígio das novas autoridades e mesmo a crença da população na democracia ao estilo ocidental e do capitalismo de mercado. Uma nova raça de plutocratas voraz e impiedosos com um apetite insaciável por riqueza e poder tem pilhado – por meio de um processo injusto e corrupto da privatização – os ativos da antiga economia estatal e recriou em casa os piores excessos do capitalismo Dickensiano do século XIX, como se o progresso social do século XX nunca tivesse existido. No meio do desemprego generalizado, miséria, desnutrição e até mesmo a fome, as multimilionárias mansões particulares surgiram em todas as grandes cidades como símbolos de palácios de ganhos ilícitos e da riqueza inatingível para pessoas comuns que lutam para encontrar emprego, pagar contas diariamente, e encontrar habitação a preços acessíveis. Esta "nova classe" de políticos ligados aos “novos ricos” com luxuosos estilo de vida ‘La Dolce Vita’ parece estar disposta a cometer qualquer crime, no interesse do lucro rápido e autoenriquecimento, operando de acordo com o princípio do rei Luís XV "Après moi, le déluge" (Depois de mim, o dilúvio) e impetuoso em todos os lugares às esperanças das pessoas para melhorar sua sorte e modernizar o seu país ao longo das linhas de uma nação “civilizada”. Único negócio que floresce em muitos pontos da região de “economias emergentes” parece ser o crime organizado, que geralmente é executado por cleptocratas dentro dos círculos dominantes.
Enquanto essa camada parasitária de "novos ricos" oligarcas está ficando mais rica a cada dia – em parte, por evasão fiscal no âmbito do sistema recém-adotado, leis do “plano fiscal”, altamente regressivos – os cidadãos das nações ex-comunistas agora têm que pagar dos seus próprios bolsos para todos os serviços médicos anteriormente fornecidos gratuitamente pelo governo, apesar de também ter de pagar renda, imóveis, impostos sobre vendas – algo que eles não vivenciaram com os regimes comunistas. Há também a rentabilização e/ou privatização dos serviços educacionais anteriormente livres, especialmente no ensino superior e as novas escolas particulares, faculdades e universidades onde os estudantes têm que pagar por sua formação, incluindo muitas taxas que cada aluno tem de pagar para os vestibulares e outros testes obrigatórios exigidos em todos os níveis de escolaridade. Os subsídios governamentais para tudo, desde saúde, educação e assistência jurídica à habitação, energia e transportes públicos estão desaparecendo na disputa para cortes de gastos sociais e cortes de déficits orçamentários, tornando ainda mais difícil para as pessoas comuns sobreviverem em sua luta diária pela vida. A região tornou-se um campo de ensaio para ver em que medida os trabalhadores podem ser privados de seus direitos econômicos e sociais e, tais como um salário mínimo fixado legalmente, férias remuneradas, acesso gratuito e universal aos cuidados de saúde, educação e serviços jurídicos, aposentadoria aos 60 anos de idade para homens e 55 para mulheres, ou mesmo a sindicalização.
Mas, apesar de crescentes taxas de desemprego e subemprego, a disciplina de ferro do mercado, e à falta de bem-estar social ou mesmo da mais rudimentar solidariedade social, a velha piada da era comunista “Eles (os empresários) fingem que nos pagam, nós (os funcionários) fingimos trabalhar” parece ser hoje muito mais verdadeiro do que era sob o comunismo. Para pessoas que não tem vontade de trabalhar mais duro agora para os novos proprietários privados (e muitas vezes estrangeiro) de negócio que parecem estar interessados em espremer tanto lucro a partir de pequenos pagamentos e poucos benefícios possíveis. Ao mesmo tempo, a educação pública e as ciências, bem como as instituições artísticas e culturais, estão sendo estripadas, em nome da economia do “dinheiro dos contribuintes”, (por exemplo, a Academia Nacional de Ciências foi fechada ou está prestes a ser fechada em um bom número de países em transição).
Nessas nações em crise, onde os padrões de vida têm se deteriorado seriamente como desemprego, pobreza, miséria, criminalidade, bem como abuso de álcool e drogas estão se espalhando, junto com os preços exorbitantes para coisas básicas como alimentação, habitação e combustíveis, a satisfação do público com a forma como o governo está realmente agindo é mínima em quase toda parte. E onde há uma grande discrepância entre as expectativas populares e desempenho do governo em termos de fornecimento bens necessários e serviços públicos, como em quase todos os países pós-comunistas, a adesão a atitudes democráticas corrói gradualmente ao longo do tempo. O baixo desempenho dos regimes que não atendem às aspirações públicas durante longos períodos de tempo podem perder a sua legitimidade, arriscando crises sistêmicas (por exemplo, o caso paradigmático da Alemanha de Weimar). Dada as suas terríveis condições de vida e trabalho, muitos cidadãos pós-comunistas estão perdendo sua antiga crença no capitalismo de estilo ocidental e da democracia liberal. Muitos também estão rejeitando a ideia de que seus países ex-comunistas são realmente democráticos. Percepções negativas da população do desempenho, portanto, não pode, mas afetam as atitudes democráticas (como o valor da democracia é percebida) e, portanto, o chamado "déficit democrático" é estatisticamente muito significativo em toda a região. O governo das elites locais está lentamente perdendo sua legitimidade com as pessoas.
Como resultado, os protestos públicos e distúrbios sociais são comuns, incluindo dúzias de polêmicas revoluções coloridas – ambas bem sucedidas ou não, dependendo da extensão do apoio ocidental para elas – contra governos eleitos popularmente, mas muitas vezes profundamente impopular. Em janeiro de 2011, por exemplo, vários manifestantes foram mortos e 150 ficaram feridos durante uma manifestação antigovernamental na capital albanesa Tirana. O conservador Primeiro Ministro da Albânia Sali Berisha, prometeu que não iria permitir a derrubada de seu governo, mas a oposição realizou novas manifestações em Tirana e em outras cidades albanesas prometeu realizar protestos ainda mais no futuro. Apoiantes da oposição do Partido Socialista culpa as autoridades por crime financeiro generalizado, uma pandemia criminosa e corrupção, o funcionamento da economia para baixo, e a manifesta falta de serviços públicos básicos. Eles também exigem a realização de novas eleições, acusando o governo de massiva fraude de votos durante as eleições de 2009, que pela decisão de Berisha os democratas ganharam por uma margem pequena. As tensões ainda se agravaram quando Berisha acusou publicamente os seus adversários socialistas de uma tentativa de "sublevação no estilo Tunísia", uma referência à recente queda do presidente da sangrenta ditadura da Tunísia em que um grande número de pessoas fora mortas. Protestos similares contra o governo são realizados regularmente na Geórgia pós-soviética, apesar dos esforços das autoridades "democráticas" para esmagar todos os opositores. A descontente oposição culpa o forte homem da Geórgia, Mikheil Saakashvili pela guerra desastrosa de 2008 com a Rússia e pela a sorte do país que está afundando. “A esmagadora maioria da população está no limiar da pobreza. Nada está funcionando na Geórgia, exceto para a policia estadual", Lasha Chkhartishvili da oposição do Partido Conservador disse a jornalistas estrangeiros em visita, em Fevereiro de 2011, durante as manifestações anti-Saakashvili ao redor do prédio do parlamento na capital da Geórgia, Tbilisi. "regime ditatorial de Saakashvili é obrigado a entrar em colapso porque há um fim à paciência das pessoas.”[4]
No momento, todos os olhos estão sobre o mundo muçulmano e na medida em que os esforços pró-democracia das nações árabes estão transformando a política em todo o Grande Oriente Médio. Mas o pavio para revoltas existe em quase todos os lugares, especialmente nas zonas pós-comunistas do mundo. Estourando manifestações para protestar contra a pobreza, desemprego e endêmico roubo oficial, depois de mais de 20 anos de incompetente, corrupto e fraudulento governo pós-comunista – combinado com o desastroso experimento de laissez faire econômico em todo o ex-bloco soviético – produziu uma instabilidade em toda a região, onde a sobrevivência de alguns regimes apoiados no Oeste parece cada vez mais em risco.
Isto é confirmado pela especulação informal sem precedentes que lembra muito o período de antes da queda do comunismo – como muitos comentários de leitores "nos fóruns da mídia local, por exemplo – sobre a instabilidade e a reversibilidade da nova ordem pós-comunista e sua possível substituição pela "democracia revolucionária" do estilo latino-americano”. Este sentimento de insegurança e fragilidade do regime foi reforçado pela onda de nostalgia comunista varrendo várias nações ex-comunistas.
Nostalgia Comunista
Há uma grande desilusão com as promessas não cumpridas das revoluções de 1989, que trouxeram um rápido declínio nos padrões de vida para a maioria dos cidadãos dos extintos países comunistas. O desespero com o empobrecimento generalizado, corrupção, criminalidade e o caos social generalizado que acompanhou a transição ao capitalismo de mercado e democracia produziu um crescimento da nostalgia pelo passado comunista entre pessoas comuns (aquelas que não fazem parte do grupo neocosmopolita de elite pró-ocidente de seus países) que olham para o passado e tem seu apreço aos “velhos tempos" de comunismo aumentado – uma tendência preocupante que é popularmente conhecida na região como “chique Soviético”.
De acordo com uma recente publicação da Romanian Evaluation and Strategy Survey [Avaliação e Pesquisa de Estratégia Romena – N.T], 45% dos romenos acredita que viveria melhor se a revolução anticomunista não tivesse ocorrido. Depois de 21 anos de uma vida pós-comunista turbulenta, 61% dos participantes da pesquisa disseram que hoje vivem em condições muito piores do que viviam no regime de Ceauşescu, enquanto somente 24 disseram que vivem em condições melhores. Se o resultado dessa pesquisa é crível (a pesquisa foi realizada no final de 2010 a partir de uma amostra de 1476 adultos tem margem de erro de 2,7% para mais ou para menos), Ceauşescu tornou-se um mártir que atrai a simpatia da maioria dos romenos. Pelo menos 84% dos entrevistados acreditam ser uma coisa ruim a execução sem um julgamento e 60% lamentam sua morte. [5]
De acordo com uma outra pesquisa recente, 59% dos romenos consideram que o comunismo pode ser uma boa ideia. Cerca de 44% dos entrevistados acreditam que é uma boa ideia que foi mal aplicada, enquanto somente 15% acreditam que foi aplicada corretamente. Somente 29% dos romenos ainda acreditam que o comunismo é uma má ideia.
Não existem diferenças significantes entre homens e mulheres no que diz respeito a esta questão, mas o ponto de vista positivo acerca do comunismo está relacionado à idade e ao lugar onde moram os entrevistados. A maioria das pessoas com mais de 40 anos consideram o comunismo uma boa ideia (incluindo os 74% com mais de 60 anos e 64% daqueles cuja idade varia entre 40 e 59 anos). Mas apenas uma minoria faz isso entre as gerações mais jovens que nem se lembram do regime de Ceausescu (49% daqueles com idade entre 20 e 39 anos e somente 31% daqueles com menos de 20 anos). Os entrevistados moradores de regiões rurais têm uma visão mais positiva – 21% consideram o comunismo uma má ideia, enquanto 34% dos entrevistados da região urbana acreditam nisso. [6] E muitos romenos lembram com saudade do tempo em que a maioria tinha um emprego estável, do baixo custo da habitação providenciada pelo Estado, serviço de saúde gratuito e feriados na costa do Mar Negro subsidiados pelo Estado. “Lamento a morte do comunismo – não por mim, mas pelos meus filhos e netos que vejo se esforçando tanto.” Disse um mecânico aposentado de 68 anos. “Nós tínhamos estabilidade no emprego e salários decentes quando estávamos sob o comunismo. Tínhamos o suficiente para comer e férias anuais com nossos filhos” [7].
O “chique Soviético” é especialmente popular entre os moradores a antiga Alemanha Oriental, onde é conhecido como “Ostalgia” [8]. Segundo um artigo publicado na revista alemã conservadora Der Spiegel, “A glorificação da Republica Democrática Alemã está em ascensão duas décadas depois da queda do muro de Berlim. Os mais jovens e os mais abastados estão entre aqueles que mais criticam a Alemanha Oriental por ser um Estado ilegítimo”. Em uma pesquisa recente publicada pelo Der Spiegel, mais da metade (57%) dos que moravam no lado Oriental da Alemanha defendem a ex Republica Democrática Alemã (RDA). “A RDA tinha mais lados bons que lados ruins. Haviam alguns problemas, mas a vida era boa lá”, dizem 49% dos entrevistados. Oito por cento dos alemães orientais rejeitaram categoricamente qualquer crítica feita a seu antigo país ou concordaram com a afirmação de que “A RDA tinha, em sua maior parte, lados bons. A vida lá era mais feliz e melhor do que hoje na Alemanha reunificada”. O resultado da pesquisa, que foi publicado no aniversário de 20 anos da queda do muro de Berlim, mostra que a nostalgia da extinta Alemanha Oriental atingiu profundamente o coração de muitos alemães do leste. Já não são somente os mais nostálgicos que choram a perda da RDA. Em A new form of Ostalgie has taken shape (“Uma nova forma de ‘Ostalgia’ toma forma” - T.L.] , o historiador Stefan Wolle é citado dizendo “o anseio por um mundo ideal da ditadura ultrapassa o limite de funcionários do governo”, reclama Wolle. “Até mesmo pessoas jovens, que não tinham nenhuma experiência na RDA idealizam hoje.” [9]
“Nem sequer a metade dos jovens da parte oriental da Alemanha descrevem a RDA como uma ditadura, e a maioria acredita que a Stasi era um serviço de inteligência normal”, concluiu em uma pesquisa realizada em 2008 sobre a juventude do leste da Alemanha o cientista político Klaus Schroeder, diretor de um instituto de pesquisa na Universidade Livre de Berlim, que estuda os extintos Estados comunistas. “Esses jovens não podem e na verdade não têm vontade de conhecer o lado escuro da RDA”. A própria pesquisa de Schroeder dá uma visão surpreendente acerca do pensamento de muitos cidadãos descontentes com a extinta RDA. “Da perspectiva de hoje, eu acredito que fomos expulsos do paraíso quando o muro caiu”, um alemão do Leste é citado, enquanto outro, um de 38 anos, agradece a Deus por ter vivido na RDA, porque foi depois da reunificação alemã que viu, pela primeira vez, as pessoas sem abrigo, mendigos e pessoas pobres que se preocupam com formas de sobreviver. A Alemanha de hoje é descrita por muitos alemães da extinta RDA como um “Estado de escravos” e uma “ditadura capitalista”, enquanto alguns rejeitam totalmente a Alemanha reunificada por ser, em sua opinião, muito capitalista e ditatorial e certamente antidemocrática. Schroeder considera tais afirmações alarmantes: “Receio que a maioria dos alemães orientais não se identifica com o sistema sociopolítico vigente”. De acordo com outro ex cidadão da RDA citado no mesmo artigo da Der Spiegel, “No passado, um acampamento foi (...) um lugar onde as pessoas aproveitavam sua liberdade juntas”. E o que mais ele sente falta hoje em dia é “aquele sentimento de companheirismo e solidariedade”. Sua opinião a respeito da RDA é clara: “Na minha concepção, o que tínhamos naquela época era menos uma ditadura do que o que temos hoje”. Ele não só quer ver os salários e pensões iguais como na RDA, mas também reclama que as pessoas trapaceiam e mentem em toda a Alemanha unificada, e as injustiças que hoje são perpetradas de uma forma mais tortuosa que na RDA, onde salários de fome e criminalidade eram desconhecidos.
Em reação à propagação da região de nostalgia comunista e também às mudanças na opinião pela qual o ultimo líder comunista polonês, Wojciech Jaruzelski, tornou-se mais popular que o outrora reverenciado, mas agora marginalizado ícone anticomunista– Ex chefe do Sindicato Solidariedade, Nobel da Paz e, mais tarde, presidente Lech Walesa -, poloneses fervorosamente anticomunistas têm revisto o Código Penal para incluir a proibição formal de todos os símbolos do comunismo. De acordo com a nova lei, pior que a Inquisição católica medieval, podem ser multados e presos se forem pegos cantando o hino da Internacional, por exemplo, ou se carregarem uma bandeira ou estrela vermelhas ou, ainda, a insígnia da foice e martelo entre outros símbolos da era comunista, além da camiseta do Che Guevara. Da mesma forma, o governo conservador Tcheco está tentando colocar na ilegalidade o Partido Comunista da Bohemia e Morávia (embora neste último o Partido Comunista tenha conseguido mais de 11% dos votos populares nas ultimas eleições parlamentares e tem representante nas duas casa do parlamento nacional) porque as lideranças do partido se recusam a tirar a pecaminosa palavra “comunista” do nome do partido. Vários ex membros comunistas da União Europeia recentemente pressionaram, em Bruxelas, para que se instaurasse uma proibição na União Europeia de negar ou subestimar os crimes dos antigos regimes comunistas. “O principio da justiça deve assegurar um tratamento justo para as vítimas de todos regimes totalitários”, os ministros de relações exteriores da Bulgária, Republica Tcheca, Hungria, Letônia, Lituânia e Romênia escreveram em uma carta entregue ao comissários de Justiça da União Europeia, na qual insistiram que “apologia publica, negação ou banalização de crimes totalitários” deve ser criminalizado em todos os países da União Europeia. Por iniciativa de deputados anticomunistas de países pós comunistas, o parlamento europeu já aprovou uma resolução controversa sobre “totalitarismo”, o que equipara comunismo ao nazismo e fascismo. Mas todas essas medidas punitivas dificilmente limitaram a onda de nostalgia comunista: a camiseta mais popular entre os berlinenses do Leste é uma que diz: Devolva meu muro. E desta vez, construa-o duas vezes mais alto!”.
Os países ex-comunistas são os próximos?
Com a atenção do público e dos governos ocidentais centrada agora sobre as tensões e tumultuados conflitos no mundo árabe, as pessoas tendem a ignorar ou esquecer as crises que agarram as nações ex-comunistas. Dadas a crescente desigualdade, a miséria, a corrupção do governo e o crime organizado que têm caracterizado a ordem pós-comunista, a situação nessas terras ex-comunistas não é menos inflamável do que no Norte de África e do Oriente Médio, e um dia destes ela poderá vir a ser muito mais insegura do que é agora imaginado. A Tunísia, o Egito ou mesmo a Líbia, é um cenário mais provável para o futuro desta conturbada região?
Agora, os cidadãos de longo sofrimento, contudo muito pacientes desses países em transição, estão cerrando os dentes na esperança de que a próxima eleição vai levar ao poder um salvador messiânico em um cavalo branco que – juntamente com assistência muito mais generosa do que os bolsos supostamente sem fundo do Ocidente – vai finalmente libertar de sua falência, as sociedades atingidas pelo abismo da pobreza em que caíram.
As pessoas comuns na parte pós-comunistas do mundo acreditam que suas revoluções democráticas e grandes expectativas foram traídas, roubadas ou sequestradas por várias “forças obscuras”, que vão desde as elites ex-comunistas que agora substituiu seu antigo poder político com o poder do dinheiro, com uma aliança corrupta (na visão de muitos esquerdistas nativos) entre ambiciosos pseudo-democratas locais e gananciosos capitalistas ocidentais e, finalmente, a uma insidiosa conspiração envolvendo o FMI, o Banco Mundial, a Fundação Soros, e "financiamento internacional judeu "(geralmente aos olhos dos nacionalistas de extrema-direita). Como ironiza Sir Robert Chiltern em espirituosa comédia de Oscar Wilde, Um Marido Ideal: “Quando os deuses desejam nos punir, eles respondem a nossas orações”.
Só o tempo dirá se as orações respondidas das nações ex-comunistas acabarão por revelarem-se uma punição de cima. Por outro lado, pode abrir novas perspectivas para essas nações que lutam para resistir ao poder esmagador dos bancos internacionais e empresas multinacionais através da adoção de reformas progressistas que visam a criação de uma ordem democrática mundial não controlada pelos senhores da globalização e as elites locais que os servem.

Notas
[1] George Jahn, “In Romania, Turmoil Fuels Nostalgia for Communism,” Washington Post, 11 de janeiro de 2011.
[2] Michael Hudson and Jeffrey Sommers, “Latvia Provides No Magic Solution for Indebted Economies,” Guardian.co.uk, 20 de dezembro de 2010.
[3] “There’s More at Stake than Just Freedom of the Press,” Der Spiegel International, 19 de janeiro de 2011.
[NT] "Absurdistan" é um termo utilizado para designar um país onde políticas absurdas são comuns, sem tradução literal para o português.
[4] “Saakashvili Has Turned Georgia into A Police State,” Interfax, 11 de fevereiro de 2011.
[5] “45% of Romanians Say ‘Ceauşescu, Please Forgive Us for Being Drunk in December (1989)’,” Bucharest Herald, 29 de dezembro de 2010.
[6] Os resultados desta pesquisa realizada com uma amostra representativa dos romenos entre 22 de Outubro e 01 de novembro de 2010 foram divulgados pelo Instituto de Investigação de Crimes Comunista e da Memória dos Exilados Romenos em http://www.crimelecomunismului.ro/en/about_iiccr.
[7] Jahn, “In Romania, Turmoil Fuels Nostalgia for Communism.”
[8] “Ostalgie” é derivado das palavras alemãs Ost (leste) e Nostalgie (nostalgia) e refere-se ao sentimento generalizado de saudade de muitos aspectos da vida da antiga República Democrática Alemã.
[9] Julia Bonstein, “Majority of East Germans Feel Life Better under Communism,” Der Spiegel International, 3 de julho de 2009.
[10] Ibid. O jornal britânico The Guardian, marcou o aniversário de 20 anos desde a queda do Muro de Berlim com um artigo de uma acadêmica ex-Alemanha Oriental ue similarmente lamentou o fim da RDA, que, afirmou, ofereciam "igualdade social e de gênero, o pleno emprego e a falta de medos existenciais, bem como rendas subsidiadas". Segundo ela, a unificação tem "trazido desagregação social, desemprego generalizado, listas negras, um crasso materialismo e uma "sociedade de cotovelo ...." Veja Bruni de la Motte, “East Germans Lost Much in 1989: For Many in the GDR the Fall of the Berlin Wall and Unification Meant the Loss of Jobs, Homes, Security and Equality”, Guardian.co.uk, 8 de novembro de 2009.

Traduzido para Diário Liberdade por Pamela Penha
 
Opinião dO Cachete:
A claque capitalista sempre argumenta que o Comunismo não deu certo em lugar algum do mundo. E eu pergunto: Aonde o Capitalismo deu certo? Basta olhar as favelas, os guetos, as palafitas...  O Capitalismo só deu certo para as classes mais abastadas. Os menos favorecidos é que entendem bem disso! Quem passa fome, frio e falta de assistência social dos Governos é que sabe aonde o sapato - quando tem um sapato - aperta!
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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma."
(Joseph Pulitzer)