Cachete - S. M. Antigamente, no Nordeste do Brasil, era assim que se chamava qualquer comprimido para dor.
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Olinda: Como Não Amar uma Cidade Onde o McDonald's Faliu?

Eu olindo, tu olindas, ele olinda. Nos domingos, nós olindamos.

Descobri que Olinda era verbo quando dei uma carona para o músico Erasto, irmão do percussionista Naná Vasconcelos. O irmão menos famoso do clã dos Vasconcelos escolheu a cidade alta para passar seus dias. Por lá escreveu o guia “das Olindas” que diz assim:

“Subi Mercado da Ribeira
Desci largo de São Bento
No largo do Varadouro
Na Praça do Jacaré

Afoxé, afoxé
Olinda mandou me chamar”

E, enquanto cantarolava no carro durante a carona, avisou: “pode me deixar nos Quatro Cantos mesmo, estou precisando Olindar”.

E como não amar a única cidade no mundo onde um McDonald’s faliu?

Olinda é mesmo uma cidade estranha. E isso me faz lembrar um causo, passado numa segunda-feira chuvosa num bar da cidade histórica. E esse conto, caro leitor, não se passou com a amiga da prima da minha sogra, não. Foi comigo mesmo que aconteceu, por isso posso atestar de pés juntos, a estranheza do acontecido.

Lá estávamos nós, amigos boêmios, numa festinha regada a jazz na sede da Pitombeira (bloco famoso nos dias de Carnaval). Entre uma música e outra, rolou um zum zum zum, à boca miúda, de que naquela mesma festinha estava Matt Dillon (ator famoso das bandas de Hollywood).

- Matt quem? É aquele que fez Supremacia Bourne?

- Não, é o do filme Crash, no Limite. Aquele do Oscar, pô.

Passada a confusão para diferenciar Matt Dillon de Matt Damon (americano é tudo igual) e Brad Pitt de Tom Cruise (que no calor na discussão, entraram na conversa sem ter nada a ver com o assunto), confirmamos a presença do famoso no local. Sim, era ele.

A notícia, que tinha potencial para se transformar em euforia, autógrafos e briga por fotos em qualquer lugar do mundo, parou por aí. É de Olinda que estamos falando, afinal de contas. Ninguém, repito, ninguém no recinto abordou o cara. Matt ficou lá; sozinho, carente.

O desprezo pelo moço chegou a tal ponto que ele teve que tirar fotos dele mesmo no balcão do bar. Deu até pena (dó, na linguagem do Sul, porque quem tem pena é galinha). Mas a atitude blasé dos olindenses dizia “Pra que Matt se a gente tem Erasto?”. Que mais além se transforma em “pra que McChicken, se aqui tem tapioca?” ou “pra que badalar, se a gente pode Olindar”?

O fato, meus amigos, é que Olinda não é uma cidade, é um estado de espírito. E ai dos turistas que passam rápido demais, tiram fotos demais, compram bugingangas demais e nem têm tempo de conjugar o verbo Olindar. Desses dá pena, de verdade.

Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa ali e fora dali. Escreve aqui sempre às segundas-feiras sobre modismos, modernidades e curiosidades. Ela também tem um blog - Batida Salve Todos

segunda-feira, 12 de março de 2012

Recife e Olinda: Feliz Aniversário!!!

Recife - 475 Anos

Olinda - 477 Anos

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Lúcia Hippólito Cria o Maior Circuito de Carnaval do Mundo!

Circuito Barra - Olinda. Possui 828 Km
Dados do Google Earth

É meio cansativo, mas é animado!

Clique aqui para escutar a bobagem...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Guia de Sobrevivência no Carnaval de Pernambuco

1. Ao encontrar algum bloco que possui boneco gigante, preste atenção nas mãos do boneco "pro mode" não levar uma mãozada no "quengo". 

 

- Embora o efeito do álcool se vá logo após a chapuletada, não é, obviamente, uma sensação agradável. 

2. Se você escutar alguém gritando "Madeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiraaaaaaaaa", não se assuste, pois ninguém vai ficar derrubando árvore em pleno Carnaval. É apenas algum bloco ou banda cantando o hino do bloco "Madeira do Rosarinho", o qual você vai escutar umas 14.889 vezes por dia.


- Até a quarta-feira de cinzas, você saberá a letra de cor. 

3. Não se incomode se, ao seguir um bloco, a bandinha tocar sempre as mesmas músicas. Também não se incomode se, ao seguir o próximo bloco que passar, a banda deste tocar as mesmas músicas que o bloco anterior tocou. 

- O Carnaval de Pernambuco é assim mesmo, é tradição. É a época do ano que os pernambucanos se reúnem pra ouvir as mesmas dez músicas de sempre. 

4. Nem pergunte qual é o frevo novo que é a sensação deste ano. Faz tempo que isso não existe em Pernambuco. E nem invente de perguntar qual é a dança da moda. 

- Você corre o risco de apanhar, pois isso é coisa de baiano. 

5. Nunca entre em discussão com algum pernambucano sobre qual é o melhor Carnaval dentre o baiano, o pernambucano e o carioca. 

- Vocês nunca vão chegar a conclusão alguma. 

6. Nunca pergunte pra onde um bloco está indo. Siga-o apenas. 

- Nunca se sabe onde um bloco vai parar, e nem onde começa. 

7. Em Olinda, não se desespere se você passar horas e horas sem ver passar algum bloco de Carnaval. 

- O bom do Carnaval olindense é a espera. 

8. Não leve carteira, relógio, telefone celular e outros pertences pra o meio da folia. 

- O Bloco do Arrastão desfila todos os dias e a qualquer hora. 

9. Se você for homem, não fique constragido em mijar no meio da rua quando der vontade. Se assim não o fizer, vai acabar mijando nas caçolas se tentar achar um banheiro. Se você for mulher, trate logo de achar um banheiro público e entrar na fila duas horas antes de chegar a vontade de falar com o homem do bocão. 

10. No Carnaval de Olinda, se você for uma mulher bonita e gostosa, correrá o risco de, sem o seu consentimento, ser agarrada, beijada, apalpada e outras coisas terminadas em "ada". Nem vá de shortinho curto e de tecido leve. Vai voltar com a arruela "assadinha". Use a velha bermuda jeans. 


Se você for homem e tiver uma namorada gatinha, nem passe perto da cidade alta. 

Mas, se você for uma mulher feia, é hora de aproveitar e tirar o atraso acumulado. 

- Pois, em Olinda, vale o velho ditado: "não existe mulher feia; você é que bebeu pouco". 

Vai que é tua, baranga! 

11. Outro ditado que vale no Carnaval: "Cu de bêbo não tem dono". Assim, vale mais usar o outro ditado "quem tem cu, tem medo" na hora de beber. 

- Pense 2 vezes antes de enfiar o pé na jaca. Não confie nem nos amigos. 

12. Não saia cedinho de casa pra ver o desfile do Galo de Madrugada. Este bloco não desfila e nem nunca desfilou de madrugada. 


- Ao final do desfile, procure um bom dermatologista .... depois de se recuperar. 

13. Em Olinda, depois de tomar todas, nunca tente subir a Ladeira da Sé à pé.

Álcool só é combustível pra automóvel. 

14. Se você for pra folia de carro, prepare-se para pagar antecipadamente 10 reais ao flanelinha pra deixar o carro na rua - se conseguir achar algum lugar. 

Além disso, prepare pra enfrentar engarrafamentos homéricos. 

15. Não fique constrangido se você estiver no meio de um bloco "lírico" e não souber o que porra é lirismo. Também não fique sem jeito se o bloco for um do tipo "bloco-de-saudade-de-velhos-carnavais" e você não estiver sentido saudade alguma. Metade dos participantes desses blocos também não sentem porra de saudade nenhuma, só dores nas juntas. 


- Grande chance de achar aquela velha tia-avó viúva ou a tia solteirona, que há muito você não via. 

16. Se você for alérgico a mofo, passe longe dos "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais". 

17. No meio desses "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais", finja que sabe quem é Felinto, Pedro Salgado, Pierre, Fenelon e o velho Raul Moraes. Assim, você se enturmará mais rápido com o pessoal.


- Se, por curiosidade, você perguntar quem são esses caras, provavelmente vai receber como resposta um constrangido "não sei". 

18. Não há problema algum em não saber dançar frevo. 99% dos pernambucanos não sabem fazer o passo. 

- Nem tente ! Você poderá acabar seu Carnaval num ortopedista. 

Mais uma, 

19. Quando você não estiver escutando porra nenhuma, tenha certeza que é o "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais", passando na sua frente. 

outra: 

20. Caso o bloco que vocês está seguindo, passe na frente de alguma emissora de TV transmitindo em rede nacional, ao vivo, prepare-se p/ escutar pela enésima vez o hino do Vassourinhas, e levar um monte de caneladas.


- Pule feito um louco até a música acabar. E não se esqueça de "abrir" os cotovelos .... 

21 - Mesmo assim, este é o melhor carnaval do mundo!!!!!!!

Autor Desconhecido

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma."
(Joseph Pulitzer)