Cachete - S. M. Antigamente, no Nordeste do Brasil, era assim que se chamava qualquer comprimido para dor.
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terça-feira, 12 de maio de 2015

#Ocupe_Estelita: Resposta do Grupo Direitos Urbanos

É isso o que você quer para o Cais José Estelita???

Resposta do Grupo Direitos Urbanos a um texto difamatório tosco que tem circulado por aí.

COISAS QUE TALVEZ VOCÊ NÃO SAIBA SOBRE O ESTELITA

+ "Você sabia que a venda do terreno para construção e aprovação de 13 torres no Estelita foi realizada na gestão João Paulo/João da Costa?"
- Sabia que o grupo Direitos Urbanos realizou protestos na Prefeitura durante a gestão João da Costa e conseguiu suspender a aprovação uma vez com uma liminar? Você sabia que o grupo apóia a anulação do leilão e a responsabilização de todos envolvidos?
Além disso, você sabia que o partido de Geraldo era da base dessas gestões e tinha a vice-prefeitura quando o projeto foi aprovado por João da Costa? Sabia que foi Eduardo Campos que se omitiu e não exerceu o direito de preferência na compra do terreno deixando ele ser levado pela iniciativa privada?

+ "Sabia que Geraldo percebeu o dano do projeto original para a cidade e reabriu o debate, realizando 6 reuniões com o movimento Ocupe Estelita, Crea, empresários da construção civil, representantes das universidades e outras entidades? Além disso realizou 4 audiências públicas abertas à população?"
- Você sabia que Geraldo só “percebeu” o dano depois que nós ocupamos o terreno do Cais e que antes disso tinha repetido diversas vezes que não podia fazer nada do que foi obrigado a fazer depois? E sabia que nós ocupamos para evitar uma demolição "autorizada" por um alvará emitido de forma irregular pela Prefeitura de Geraldo e que está sob investigação CRIMINAL pelo Ministério Público Federal? E sabia que Geraldo só realizou a SEGUNDA reunião com o movimento após ocuparmos a Prefeitura e que só aconteceram DUAS reuniões com o movimento e não seis? Sabia também que mesmo com estas quatro audiências públicas a proposta que a Prefeitura fez, previamente acordada com as empreiteiras, não mudou praticamente em nada depois de quase um ano de teatro?

+ "Sabia que dessas audiências e do espaço aberto no site da prefeitura vieram mais de 280 propostas e que 80% delas foram aproveitadas na reformulação do projeto?"
- Você sabia que a sociedade nunca viu a sistematização dessas contribuições, uma explicação do que foi aceito e do que não foi aceito, um documento que mostrasse quais as principais propostas etc.? E que é mentira que 80% foi aproveitado porque, depois dessas contribuições, só uma nova diretriz foi incorporada e ela acabou não ficando no projeto de lei final?

+ "Sabia que depois das alterações exigidas por Geraldo o projeto pulou de apenas 35% de área pública para 65% aberto à toda população?"
- Você sabia que se você for lá e ler o texto da lei não tem isso em lugar nenhum? Você sabia que essa área adicional não é pública mesmo, é como o píer e a “ciclovia” na frente das Torres Gêmeas cujo acesso só liberaram depois de organizarmos um protesto lá? E sabia que foi alertado para a Prefeitura que era preciso mudar as regras das leis municipais para que isso se tornasse verdade e a Prefeitura ignorou ? E também sabia que nessa área "pública" estão contabilizadas as áreas das vias para carro e os jardins do prédio e não só parque para usufruto da população?

+ "Você sabia que o novo Plano Urbanístico aprovado por Geraldo para o Cais de Santa Rita, Estelita e Cabanga proíbe muros e grades, deixando o terreno do Estelita completamente aberto para o fluxo de pessoas das comunidades que moram atrás?"
- Você sabia que alguns prédios prevêem FOSSOS no lugar de muros e que isso é uma barreira do mesmo jeito? Você sabia que não adianta não ter grades se forem prédios isolados da rua como os da Ilha do Leite ou o acesso a essas áreas for impedido pelos seguranças particulares como aconteceu no píer das Torres Gêmeas?

+ "Sabia que Geraldo dobrou o número de ruas públicas dentro do terreno previstas originalmente no projeto, permitindo maior fluidez e permeabilidade do tráfego? "
- Você sabia que a Prefeitura não tem nenhuma garantia de que o DNIT irá autorizar a passagem sobre o Pátio Ferroviário ainda em funcionamento, que essa passagem é proibida por lei federal, e que, portanto, é possível que NENHUMA rua transversal possa ser aberta?

+ "Sabia que Geraldo exigiu como contrapartida das empreiteiras a construção de 200 unidades de habitação populares com distância máxima de 300 metros do terreno?"
- Você sabia que os representantes de Geraldo no Conselho da Cidade e na Câmara de Vereadores lutaram com todas as forças para impedir que fosse instituída na lei do plano essa contrapartida como uma regra para qualquer grande empreendimento na área, inclusive o Novo Recife?

+ "Sabia que Geraldo exigiu a demolição do viaduto de separa o Cais José Estelita do Cais de Santa Rita, devolvendo à cidade a vista do nosso belíssimo Forte das Cinco Pontas?"
- Você sabia que, na verdade, isso foi uma exigência do IPHAN já em 2012, antes de Geraldo assumir, e que, no fundo, não passa de uma consequência de regra de proteção do patrimônio histórico federal (decreto-lei 25/37)?

+ "Sabia que Geraldo reduziu em 2/3 a altura dos prédios próximos de prédios tombados naquela área?"
- Você sabia que isso corresponde a somente ⅕ do Projeto Novo Recife e que no resto a altura chega a 137m, quase a mesma altura das Torres Gêmeas?

+ "Você sabia que o líderes do movimento Ocupe Estelita e que incitam a radicalização são Sérgio Urt, Leonardo Cisneiros e Jampa Lima e Silva (todos pré-candidatos a vereador pelo PT e o PSol)? Sabia que este último é justamente o filho do ex-prefeito João Paulo, que aprovou a construção das Torres Gêmeas e vendeu o terreno do Estelita?"
- Você sabia que Geraldo é candidato a reeleição no ano que vem e que isso é legítimo (mas ataques anônimos não são)? Você sabia que esse tipo de “argumento” é atacar o mensageiro em vez da mensagem? Você sabia que os movimentos OcupeEstelita e Direitos Urbanos são compostos por milhares de pessoas e que, além dos citados, muito mais pessoas participam da construção mais ativa das ações, inclusive eleitores de Geraldo, de vários partidos, apartidários, anarquistas? Você sabia que os filhos não são responsáveis pelas decisões administrativas dos pais e que esse argumento é bisonho? Você sabia que uma campanha difamatória desse porte requer dinheiro, que não estamos em época de campanha eleitoral oficial e que esse dinheiro pode ter vindo de empreiteiras envolvidas tanto com o Novo Recife quanto com a Operação Lava-Jato?
- Você ainda sabia que a aprovação do projeto de lei que tenta legalizar o Projeto Novo Recife foi rechaçada como inconstitucional pelo Ministério Público de Pernambuco numa recomendação assinada por quatro promotores de áreas distintas?
- Você sabia que o MPPE alertou Geraldo Julio de que ele poderia estar cometendo um ato de improbidade administrativa, passível de cassação do mandato, caso continuasse insistindo em aprovar o plano de forma irregular?
- Você sabia que o Ministério Público Federal também foi contra a aprovação do plano?
- Você sabia que o plano para o Cais José Estelita e entorno foi “aprovado” numa reunião sem quorum, contrariando o regimento
- Você sabia que o Projeto Novo Recife prevê DOZE MIL viagens diárias de carro naquela área sem que a Prefeitura tenha apresentado um estudo de mobilidade sobre o impacto disso?
- Você sabia que o plano aprovado à força e de forma irregular por Geraldo e sua base na Câmara contém um artigo que dá ao Consórcio Novo Recife o poder de implodir todo esse processo de negociação que o prefeito diz ter feito e construir o projeto Novo Recife original?
- Você sabia que o plano tem várias outras ilegalidades que a propaganda difamatória da Prefeitura esconde e que você pode se informar melhor no Direitos Urbanos?
"Agora me diga quem está certo e quem está errado nessa história."

André Hopper: #Ocupe_Estelita

André Hopper
Filósofo Etílico
Essa é a resposta para as ofensas desonestas. 8 anos trabalhando no Bairro de São José (Rua das Calçadas) e nunca vi uma "autoridade municipal ou do estado" almoçando um arrumadinho, um Pé-de-porco (tô pra ver melhor), no Big lanches, tomando uma água de coco em seu Ciço, Acarajé pernambucano na rua do Nogueira, Caldo de cana na praça do pirulito, a beleza frenética do Beco do Sirigado com seus tabuleiros das mascates na luta incessante pra fazer o apurado e levar o sustento pra casa. Comprar Mangaba, Jenipapo, Jabuticaba, Macaíba (é tem lá) na rua de Santa Cruz, pescados vá em seu Djama (mas cedo porque a comunidade chinesa compra quase tudo), tudo isso e muito mais. E porque esse microcosmo é chamado de "VUCO-VUCO"? fácil, é em São José que o Recife não perde a sua infância, com essa força da luta pela vida, pela sobrevivência. Meu bisavô materno, Albert von Hopper, no começo dos 1900 tinha um farmácia na rua Direita e o meu avô materno, Francisco Cajueiro tinha uma loja na rua da praia (Casa Cajueiro) que está lá até hoje. Será que é por tudo isso, que eu sou apaixonado pelo BAIRRO DE SÃO JOSÉ? Sei lá! Só sei que sou. Mas pessoal, tem muita coisa ainda. Quem vai esquecer da Rua Padre Floriano? E os Batutas de São José?

FREI CANECA, NUNCA SERÁS ESQUECIDO!

‪#‎OCUPEESTELITA‬

domingo, 15 de abril de 2012

Um Belo Dia de Domingo

Movimento Ocupe Estelita

Acordei, papei um prato de cuscuz com ovo e fui mimbora curtir um domingo diferente. Mochila nas costas, parti para o Cais José Estelita, centro do Recife, beira da maré. Não estava sozinho.

Ao longo desse domingão, centenas de pessoas seguiram o mesmo caminho. Da minha própria cabeça, vou dizer que mais de mil passaram por lá. Alguns traziam faixas. Outros pintavam ou colavam seus cartazes nas paredes dos velhos armazéns, abandonados há décadas numa das áreas (que deveriam ser) mais privilegiadas da cidade. Uma turma pediu eletricidade ao vizinho e ligou o som. Cardumes de bicicletas ocupavam o lugar. Famílias faziam piqueniques e separavam o lixo orgânico do material reciclável.

Bom humor, risada, brincadeiras, papo sério.

O “mote” da festa (agora vou chamar de festa) é a indignação do pessoal por conta do projeto Novo Recife, que – entre outras coisas – pretende subir 14 torres de 40 andares na beira do rio. Quem entende faz a lista da bronca: problemas de ventilação, saneamento e trânsito devem ser o efeito colateral do projeto, caso saia como o consórcio imobiliário deseja.O grupo que compareceu ao cais hoje foi significativo e fez ver que existe muita gente que acha importante uma discussão maior sobre o direito à cidade e sobre a forma com que se constrói ou se deixa de construir por aqui. Mas, enfim.

A chamada ao protesto (agora eu vou chamar de protesto) aconteceu pelas redes sociais. Feicebuqueanos e tuiteiras meteram o dedo pra cima e convidaram todo mundo a botar a boca no trombone. Quem sabe desenhar fez cartazes bacanas. Compartilhou-se, curtiu-se aos montes. Os chamados “ativistas de sofá” perceberam que precisavam também mostrar a cara e fazer-se ver além da twitcam.

Circulando, vi muita gente acostumada a lutar por direitos. Estudantes, ciclistas organizados, militantes cineclubistas, a galera dos direitos humanos, do direito à comunicação, à cultura. Boné do MST e bandeiras de um par de movimentos sociais. Mas também vi muita (muita mesmo) gente nova em vários sentidos. Certamente foi a estreia de uma galera no mundo das reivindicações. Reunidos, os manifestantes formavam um caldeirão inusitadamente singular. Pouca estrutura formal, descentralização total, recursos mobilizados a partir de caixinhas de papelão em que qualquer um podia contribuir para ressarcir quem gastou pra levar tintas, faixas e outros materiais.

Uma manifestação feliz, num dia feliz.

Sim, é verdade que a área está abandonada há muitos anos. Também é verdade que a indignação só foi engatilhada depois que o projeto das torres ‘vazou’ para a população. Não é mentira que muita gente que apareceu hoje no José Estelita conheceu o cais nessa linda manhã de domingo.

E daí?

A grande graça de hoje foi ver pessoas na rua, dividindo esforços e conversas. Pessoas que, de uma forma ou de outra, percebem a necessidade de construir algo novo (eita) em termos de política na cidade. Pouco me importa se ainda tem gente se empoderando das discussões. Tou nem aí para quem vier me dizer que é improvável a interrupção do Projeto Novo Recife, que o terreno está comprado, que a prefeitura vai conceder todas as licenças, etc. Certamente a movimentação da galera vai aumentar o poder de barganha de possíveis gestores públicos interessados em aumentar as chamadas ‘contrapartidas sociais’ do empreendimento, mas nem é isso que eu tou aqui comemorando.

Cada pessoa que, em qualquer momento do domingo, passou pela manifestação, já gastou muita saliva em mesa de bar reclamando de um monte de coisa. Já escreveu nas redes sociais que alguma coisa tem que mudar, que pode ser feito diferente. E agora percebeu que dá pra – pelo menos – tentar interferir.

Já pensou se isso vira moda? Tendência, como se diz hoje em dia? Já pensou se a galera percebe que pode ser um programa legal dar uma chegada no Cais uma vez por semana pra curtir umas intervenções artísticas e reverberar suas demandas sociais? Saúde, educação, comunicação, meio ambiente. Causas não faltam.

Já pensou se os movimentos populares começam a chegar junto? Os meninos do Coque, a galera da Bomba do Hemetério, as rádios comunitárias, a turma do grafite do Totó, os pescadores da Ilha de Deus com suas redes e barcos altamente politizados?

Pensou não? Ainda dá tempo.

Quer saber mais sobre o projeto Novo Recife? Dê uma sacada nessa matéria do Pé na Rua.



Fonte: Blog Bodega de Ivan Moraes
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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma."
(Joseph Pulitzer)